5 de mar. de 2010

Amargo e quente !

Leia ouvindo "Apologize timbaland" Fikdik :p


Com o tempo eu aprendi a gostar de café amargo. Depois de tanto tentar aprendi como se bebe sem fazer cara feia e me apeguei a este gosto peculiar. Com o tempo eu descobri que só café amargo pode curar as dores que a gente sente na alma. Algumas gotas e pronto! Só com café amargo é que nó na garganta se desfaz. Nem música, nem colo, nada. Estas coisas só empurram o choro pra fora, o que é bem válido porque gosto de chorar até não poder mais, para justamente não poder mais chorar. E depois de passada esta etapa do choro parto para uma boa xícara ainda fumegante. Gosto de sentir a dor do nó se desfazendo com o amargo quente que vai me amolecendo por dentro.

Gosto de sentir porque até mesmo a dor eu gosto de sentir inteira. Sempre fui muito inteira. Dessas pessoas que quando amam, amam por inteiro. E que quando querem, querem por inteiro. E que quando odeiam é por inteiro também. Embora eu não odeie ninguém (creio que ainda ninguém me fez tanto mal assim para que eu possa odiá-lo por inteiro.) Sou destas pessoas que precisam estar inteiras para que sejam felizes.

Para mim nunca existiu não estar triste nem também estar feliz, nunca consegui conviver com este meio-termo (é que o meio me deixa metade vazia) e me admiro com quem consegue. É porque sendo assim deste jeito me entristeço toda com frequência e por isto levo um bom tempo da minha vida inventando coisas que me façam lembrar que a vida vale a pena. Sendo deste modo uma pessoa inventiva e por consequência distraída... Eu até tentei observar as pessoas. Mas até hoje eu ainda não soube como é que se faz pra aprender a amar também uma vida morna. Comigo não, comigo tem que ser quente! Até porque, covenhamos, café frio é de embrulhar o estômago.

E nem adianta tentar esquentar de volta, viu? Café requentado é a pior das coisas. Mais vale a pena fazer outro no bule, mas, melhor seria se a gente nunca deixasse esfriar e não precisasse jogar tudo fora. Mas enfim, acho que nem estou mais falando do café em si, como sempre tenho essa mania feia de metáforas (não é todo mundo que me entende.) Então vou voltar agorinha mesmo para a nossa realidade, meu caro.

A realidade é que às vezes a vida parece mesmo ficar pela metade e que não existe só o que é bonito. Às vezes as coisas tem que ser feias porque é da natureza delas mesmo não serem bonitas nem cor-de-rosa e eu tenho que aprender a amar também o que é feio de natureza e me contentar com a metade, sei disso. Mas eu não quero. Me recuso! Eu quero ser inteira pra sempre. Fazer tudo com todo o coração e tornar até o que é feio em coisa bonita, reinventar (era essa palavra que eu queria dizer.)

Está certo que ser apenas metade dói menos. Mas não tem problema, se me doer muito ser inteira, sei muito bem me curar... com café. Amargo e quente.
 
PS: odeio  café