24 de ago. de 2010

Ai como doí

Estou me acostumando aos poucos. É que a gente sempre quer sair de casa, conhecer o novo. E já pensou largar tudo e ir para um país novo? uma cidade nova? Sem ninguém, ninguém que saiba da tua história, novas pessoas, nova casa, nova rua, novo bairro, novos vizinhos, novas praias, novas festas, novos trajetos, novos horários, novas regras, vida nova. A gente sempre quer. Se livrar da vizinha encrenqueira, de alguém impondo horários pra chegar em casa,das fofocas, das implicância daquelas garotas insuportavéis, do burburinho da cidade, das pessoas que já foram o que eram pra ter sido, de sair para os mesmos lugares e de fazer o mesmo caminho sempre. A gente sempre quer.
Mas tem um dia que isso acontece, de fato. E aí você vai, leva só as malas e deixa tudo para trás.E seja o que Deus quiser. Vai com um sorriso na cara pra atrair sorte, vai com o pé direito pra garantir, vai com o pensamento de que tudo vai dar certo e vai com o coração na mão porque não tem jeito.
Fazem 14 dias. E só nesse tempinho quanta coisa eu já vivi... Eu ri demais, eu falei com todo mundo que eu podia falar aqui do predio e da rua onde moro, eu fingi ser outra pessoa na rua, eu virei a madrugada brincando de jogo da forca sem luz em casa, eu dei número de telefone falso, Eu brinquei demais, eu quase fui atropelada, eu ja fui sozinha a padaria pela primeira vez, eu fui na primeira choppada com as meninas, eu amanheci na rua, eu dormi dividindo colchão com 4 pessoas, eu subi num palco, eu ganhei um concurso, eu contei isso tudo para os meus pais, eu fui sincera e não tomei esporro como eu esperava que fosse tomar. Eu percebi que agora não tem mais como voltar atrás eu tô crescendo.Sim eu tô crescendo! Essa foi a frase que eu disse na ultima conversa que tive com minha mãe.
E uma coisa interessante que ela me disse que eu nem tinha me tocado " Filha á 4 anos que você vem crescendo agora que você percebeu?". É... talvez ela tem razão. Mas somente hoje que a fixa caiu e que agora não tem ninguém pra me dar esporro, que não tem ninguém pra decidir por mim, nem pra me defender, nem pra me dar colo. E entendi que a responsabilidade é minha e por consequência a consciência também. Que eu que adiministro meu dinheiro e que se eu acabar com ele o problema é meu. E que dessa vez não adianta eu dizer "eu faço tudo que eu quero e é problema meu" como nas épocas de revolta, porque agora o problema é meu mesmo. Só meu. E não tem ninguém pra me salvar. Eu que me vire, eu que corra atrás, eu que estude, eu que invista, eu que me garanta, eu que viva ... por mim. E ninguém mais. Ninguém mais vai viver por mim.
E isso dá um arrepio na espinha, dá susto como em montanha russa e dá vontade de ter tudo de volta, os seus amigos de sempre, a sua caminha na casa da mamãe, uma comida descente feita por ela, não se preocupar em "como eu vou voltar pra casa", conhecer o caminho por onde anda como a palma da mão. E dá saudade. Dá vontade de você reencontrar todo mundo. Até mesmo aquela vizinha chatinha.É que com o tempo você descobre que gostava dela. E descobre que ama a sua familia mais do que imagina. Que ama até mesmo os lugares antigos e descobre que a sua rotina era boa. Você sente falta de um monte de coisa e às vezes dá uma solidão enorme ... e eu que gostava de ter a casa vazia... descobri que não, tem dias que a gente precisa de alguém colado o dia inteiro.. E nem todo dia é dia de festa. Tem dias que você descobre que ser dono do seu próprio nariz pode doer. Uma dor aguda, bem na pontinha dele. Ai.