Estou me acostumando aos poucos. É que a gente sempre quer sair de casa, conhecer o novo. E já pensou largar tudo e ir para um país novo? uma cidade nova? Sem ninguém, ninguém que saiba da tua história, novas pessoas, nova casa, nova rua, novo bairro, novos vizinhos, novas praias, novas festas, novos trajetos, novos horários, novas regras, vida nova. A gente sempre quer. Se livrar da vizinha encrenqueira, de alguém impondo horários pra chegar em casa,das fofocas, das implicância daquelas garotas insuportavéis, do burburinho da cidade, das pessoas que já foram o que eram pra ter sido, de sair para os mesmos lugares e de fazer o mesmo caminho sempre. A gente sempre quer.
Mas tem um dia que isso acontece, de fato. E aí você vai, leva só as malas e deixa tudo para trás.E seja o que Deus quiser. Vai com um sorriso na cara pra atrair sorte, vai com o pé direito pra garantir, vai com o pensamento de que tudo vai dar certo e vai com o coração na mão porque não tem jeito.
Fazem 14 dias. E só nesse tempinho quanta coisa eu já vivi... Eu ri demais, eu falei com todo mundo que eu podia falar aqui do predio e da rua onde moro, eu fingi ser outra pessoa na rua, eu virei a madrugada brincando de jogo da forca sem luz em casa, eu dei número de telefone falso, Eu brinquei demais, eu quase fui atropelada, eu ja fui sozinha a padaria pela primeira vez, eu fui na primeira choppada com as meninas, eu amanheci na rua, eu dormi dividindo colchão com 4 pessoas, eu subi num palco, eu ganhei um concurso, eu contei isso tudo para os meus pais, eu fui sincera e não tomei esporro como eu esperava que fosse tomar. Eu percebi que agora não tem mais como voltar atrás eu tô crescendo.Sim eu tô crescendo! Essa foi a frase que eu disse na ultima conversa que tive com minha mãe.
E uma coisa interessante que ela me disse que eu nem tinha me tocado " Filha á 4 anos que você vem crescendo agora que você percebeu?". É... talvez ela tem razão. Mas somente hoje que a fixa caiu e que agora não tem ninguém pra me dar esporro, que não tem ninguém pra decidir por mim, nem pra me defender, nem pra me dar colo. E entendi que a responsabilidade é minha e por consequência a consciência também. Que eu que adiministro meu dinheiro e que se eu acabar com ele o problema é meu. E que dessa vez não adianta eu dizer "eu faço tudo que eu quero e é problema meu" como nas épocas de revolta, porque agora o problema é meu mesmo. Só meu. E não tem ninguém pra me salvar. Eu que me vire, eu que corra atrás, eu que estude, eu que invista, eu que me garanta, eu que viva ... por mim. E ninguém mais. Ninguém mais vai viver por mim.
E isso dá um arrepio na espinha, dá susto como em montanha russa e dá vontade de ter tudo de volta, os seus amigos de sempre, a sua caminha na casa da mamãe, uma comida descente feita por ela, não se preocupar em "como eu vou voltar pra casa", conhecer o caminho por onde anda como a palma da mão. E dá saudade. Dá vontade de você reencontrar todo mundo. Até mesmo aquela vizinha chatinha.É que com o tempo você descobre que gostava dela. E descobre que ama a sua familia mais do que imagina. Que ama até mesmo os lugares antigos e descobre que a sua rotina era boa. Você sente falta de um monte de coisa e às vezes dá uma solidão enorme ... e eu que gostava de ter a casa vazia... descobri que não, tem dias que a gente precisa de alguém colado o dia inteiro.. E nem todo dia é dia de festa. Tem dias que você descobre que ser dono do seu próprio nariz pode doer. Uma dor aguda, bem na pontinha dele. Ai.
24 de ago. de 2010
9 de ago. de 2010
Meu testamento !
Tudo que nasce,morre. E ninguém nunca sabe para onde vai. Não sei quanto tempo leva pra esquecer. E esquecer não é simplesmente não lembrar, eu acho que é mais. Um processo longo e sem fim. Esquecer a gente nunca esquece. Não quero mais lembrar então, destas coisas que parecem estar quase mortas ou entaladas em algum lugar que dói e eu ainda não descobri.
Proponho que façamos um grande velório. Preciso enterrar todas as histórias. E as estórias também que eu inventei e que nem chegaram a ser,e que também não viraram sonhos porque eu acordei de repente sem ar na madrugada. Levantei. Fui até a cozinha procurar um copo d’água. Sentei e comecei a escrever.
Minto, antes de começar fiz uma longa... pausa... para te olhar. Tentei acompanhar o ritmo da sua respiração funda e lenta enquanto dormia. Achei seu arfar um tanto afável: o músculo endurecido do meu coração se retraiu primeiro,mas depois, mesmo um tanto receoso relaxou e se deixou levar. Minha respiração inquieta me deixou descansar por alguns instantes enquanto eu seguia o seu ritmo, mas eu não consegui imitar a sua paz por muito tempo.
Foi apenas o instante dos seus olhos sonolentos conseguirem se abrir até o meio, fraquejando logo após de me fitar, e você arquejou a boca como se fosse me dizer algo se não estivesse tão cansado. Talvez em outro tempo eu até insistisse em ouvir , mas desta vez não. Quis apenas contemplar aquele silêncio para começar a escrever. Escrever não sei para quê e nem para quem, mas senti total necessidade. Talvez escrevendo eu pudesse definir um fim para esta história, melhor então passar para o papel – pensei – uma vez que sei lidar melhor com a caneta que corre em minhas mãos firmes, porque só assim elas sabem ser firmes, pois só assim eu saberei ser firme.
Meus finais todos são dotados de drama, de silêncio e de madrugadas também. E de mortes, assim como são dotados todos os finais. Sei que tudo isto está morrendo mas não faço idéia para onde vai.Não quero saber. Sei que depois do enterro vem a vida que segue, que continua cruel ou felizmente, nos mostrando que o mundo gira e que a vida lá fora sempre vai continuar existindo, mesmo que eu me assassine um pouco... mesmo que eu mude de idéia e queira morrer. Quis deixar então um testamento, como prevenção, por saber que as madrugadas acabam e que depressa vem o depois.
Mas não há muito o que eu queira deixar neste testamento, eu até poderia deixar algumas marcas, mas estas eu quero que sejam apagadas. E todos os sorrisos, os abraços, os planos, e os rancores também. Isto também morre junto. Tudo o que houver de mim eu retiro e levo comigo, inclusive as minhas palavras. Esqueça das minhas palavras.Quero deixar no meu valioso testamento apenas uma sagrada esperança de que tudo vai dar certo e um novo entusiasmo para os dias que virão.
De resto não vale a pena cantar a hipocrisia, não quero lhe desejar nada que não seja verdadeiro. Deixo então o silêncio. E o barulho da palavra que quis escapar da sua boca e que nunca saiu, o som falho interrompido pelo cansaço que repousou no seu sono. Deixo o arfar inquieto do meu peito enquanto velava você dormindo. Te deixo a cor das minhas olheiras, e por fim, deixo a minha insônia descançando em paz em cima do teclado, repousando ou deixando-se abater, enquanto se ouve o baque sutil da trinca da porta do meu quarto sendo violada, o sopro do vento vindo de fora, os sorrateiros passos se afastando sem se despedirem pelo corredor da casa.
Deixo o frio de acordar sem uma meia dos pés, e sem você ao lado. Pra sempre.
Amanheceu o dia.
Proponho que façamos um grande velório. Preciso enterrar todas as histórias. E as estórias também que eu inventei e que nem chegaram a ser,e que também não viraram sonhos porque eu acordei de repente sem ar na madrugada. Levantei. Fui até a cozinha procurar um copo d’água. Sentei e comecei a escrever.
Minto, antes de começar fiz uma longa... pausa... para te olhar. Tentei acompanhar o ritmo da sua respiração funda e lenta enquanto dormia. Achei seu arfar um tanto afável: o músculo endurecido do meu coração se retraiu primeiro,mas depois, mesmo um tanto receoso relaxou e se deixou levar. Minha respiração inquieta me deixou descansar por alguns instantes enquanto eu seguia o seu ritmo, mas eu não consegui imitar a sua paz por muito tempo.
Foi apenas o instante dos seus olhos sonolentos conseguirem se abrir até o meio, fraquejando logo após de me fitar, e você arquejou a boca como se fosse me dizer algo se não estivesse tão cansado. Talvez em outro tempo eu até insistisse em ouvir , mas desta vez não. Quis apenas contemplar aquele silêncio para começar a escrever. Escrever não sei para quê e nem para quem, mas senti total necessidade. Talvez escrevendo eu pudesse definir um fim para esta história, melhor então passar para o papel – pensei – uma vez que sei lidar melhor com a caneta que corre em minhas mãos firmes, porque só assim elas sabem ser firmes, pois só assim eu saberei ser firme.
Meus finais todos são dotados de drama, de silêncio e de madrugadas também. E de mortes, assim como são dotados todos os finais. Sei que tudo isto está morrendo mas não faço idéia para onde vai.
Mas não há muito o que eu queira deixar neste testamento, eu até poderia deixar algumas marcas, mas estas eu quero que sejam apagadas. E todos os sorrisos, os abraços, os planos, e os rancores também. Isto também morre junto. Tudo o que houver de mim eu retiro e levo comigo, inclusive as minhas palavras. Esqueça das minhas palavras.Quero deixar no meu valioso testamento apenas uma sagrada esperança de que tudo vai dar certo e um novo entusiasmo para os dias que virão.
De resto não vale a pena cantar a hipocrisia, não quero lhe desejar nada que não seja verdadeiro. Deixo então o silêncio. E o barulho da palavra que quis escapar da sua boca e que nunca saiu, o som falho interrompido pelo cansaço que repousou no seu sono. Deixo o arfar inquieto do meu peito enquanto velava você dormindo. Te deixo a cor das minhas olheiras, e por fim, deixo a minha insônia descançando em paz em cima do teclado, repousando ou deixando-se abater, enquanto se ouve o baque sutil da trinca da porta do meu quarto sendo violada, o sopro do vento vindo de fora, os sorrateiros passos se afastando sem se despedirem pelo corredor da casa.
Deixo o frio de acordar sem uma meia dos pés, e sem você ao lado. Pra sempre.
Amanheceu o dia.
8 de ago. de 2010
Me desejando sorte !
A minha vida é feita de recomeços. E isto significa reconsiderar. Reaproveitar algo? Talvez. Não sei se quero, e nem se devo. Vou sentir saudade de algumas coisas, eu sei. Só ainda não sei de quais.
Ps: Descobriir que meu Pai tem lido isso aqui ahuauhuauuauha então aqui vai um
Feliz dia dos Pais pra vc meu Pai... o melhor Pai do mundo. Eu te amo *-*
Ps: Descobriir que meu Pai tem lido isso aqui ahuauhuauuauha então aqui vai um
Feliz dia dos Pais pra vc meu Pai... o melhor Pai do mundo. Eu te amo *-*
4 de ago. de 2010
Por quanto?
Das tantas coisas que passam na minha cabeça eu poderia revelar um pouco menos da metade, talvez deva-se a isto o fato de eu ser uma pessoa calada (a princípio), porque quando eu decido falar eu falo, e como eu falo! Mas este nem é o problema, o problema é que eu insisto em escrever... Agora imagine um ser humano que consegue sofrer um acidente catastrófico ao fritar um ovo, ou aquela voz desafinada ao fundo do coral, o tipo de pessoa que canta sempre o refrão da música por nunca conseguir gravar muita coisa além disso, a amiga que sempre esquece das datas mais importantes e depois liga choramingando pedindo desculpas, a menina que chega na porta da festa e você pensa que é um mulherão até vê-la tropeçando, entortando o salto dançando meio desajeitada, te fazendo mudar de idéia. ( O que uma pessoa dessas poderia escrever?) Imagine agora uma criança com os dentes da frente nascendo desproporcionais aos outros dentinhos de leite, parecendo um hamster e vestindo um vestido de princesa grande demais, no estilo maria mijona porque a mãe comprou com o intuito de tapar os joelhos, sempre ralados como os de menino. É, pense na menina que sempre brincava com os meninos (não, não era por ser uma menina que de tão legal era aceita no clube do bolinha) era por exclusão mesmo, do grupo das menininhas meigas que carregavam lindas bonecas e seus carrinhos cor-de-rosa nas cestinhas de suas bicicletas, que por sinal nunca foram páreo para as minhas Barbies semi-carecas, maqueadas com canetinha. Quem disse que os meus brinquedos não eram legais? Azar o das meninas meigas que perderam uma grande oportunidade,cortar o cabelo das bonecas estilo hardcore era super aceitável e eu sabia disto desde pequena, elas é que eram muito over... mentira. Eu sempre quis brincar com elas, sempre quis saber maquear as bonequinhas ( e não sei até hoje, nem maquear bonequinhas quanto mais me maquear sem parecer o palhaço Bozo, err ok, vou prosseguir ...) sempre quis saber cantar, sempre quis saber cozinhar e conseguir sair de perto do fogão viva, chegar na festa linda e sorridente e sair dela não só sorridente, mas linda também, sem aquela cara de acabada com os olhos completamente borrados por sempre me esquecer do hímel e coçá-los. Sempre quis ser como aquelas mulheres fatais superproduzidas que nos seduzem só com os olhos nas capas de revista (mas nunca consegui e uso a desculpinha que ser despojada e natural é bem melhor), confesso, sempre quis dar estrelinha, ter uma memória melhor e saber puxar assunto. Mas, enfim, o que me sobrou foi escrever, então eu me rendo.
Começou assim de modo meio ingênuo, com um textinho para a mamãe na homenagem da escola e as professoras que insistiram nessa idéia não poderiam imaginar o mal que isso me faria: maldita tia Isa que adorava minhas mentirinhas escritas e me pedia para escrever mais e mais, me elogiando nas beiras das folhas do caderno. E, como não me sobravam muitos elogios por outros talentos, foi deste modo egoísta que passei a gostar de escrever: para impressionar a mamãe e a tia Isa, como uma criancinha superdotada que um pouco mais tarde pularia de série como consequência.
Mas não parou por aí, além de ser um ano adiantada e por isso ser sempre a mais nova da turma, as consequências não foram poucas. Quando eu vi estava completamente rendida por tal hábito e já escrevia coisas que não queria que mais ninguém lesse; Os meus segredos, as minhas vontades, os cometas que passavam voando pela minha cabeça... é, não tinha mais volta. Eu precisava escrever e agora não era para tia Isa, não, não. Simplesmente não existia motivo nenhum.
Tarde demais, estes, de precisar sem motivo, são os piores vícios. Agora me encontro no estágio agudo, no surto de dizer as coisas que eu não diria ... e o pior: tem vezes que resolvo escrevê-las aqui. Daí, quando me dá vontade de ler de novo o que eu escrevi em uma espécie de transe (pois não penso no que estou escrevendo e nem olho para o teclado enquanto escrevo), dou de cara com as barbáries e abobrinhas, faltas de vírgulas e de parágrafos que só noto quando um monte de gente já leu e interpretou à sua maneira. Então deixo pra lá, pois não vejo mais sentido em corrigir, uma vez que já fora interpretado não se deve tirar isto das pessoas.
Enfim, só não acho isto pior do que a minha infinita capacidade de me auto-sacanear quando já estou quase dormindo e resolvo, sem mais nem menos, começar a falar pra você tudo o que eu demorei o dia inteiro tentando disfarçar, tentando não dar bandeira e não parecer uma psicótica, uma doida qualquer sem controle nenhum dos impulsos e emoções, ciumenta sem razões para ser, exigindo coisas hipócritas que não posso exigir, falando várias merdas opiniões pessoais e episódios do meu passado, coisas que nem eu sabia que estavam guardadas na minha cabeça e que saem como borboletas voando atônitas de dentro do meu estômago por terem estado presas ali um dia inteiro, fazendo minhas mãos transpirarem de nervoso mais do que o normal.
Tanto esforço para nada, graças ao meu maldito hábito, maldita boca enorme e traidora que eu tenho, malditos textinhos para mamãe, malditos caderninhos com elogios da tia Isa, maldito você que sempre dorme depois de mim e que por isso me flagra neste estado perigoso do dia, maldita sinceridade, malditas menininhas meigas, malditas mulheres fatais, malditas borboletas que saem voando sem pedir licença. E então, sei lá o que fazer depois disso tudo, na verdade não tem muito o que fazer, não é? Não há como apagar a palavra dita (depois que ela sai já não é mais sua, mas sim de quem as ouviu.) Sem ter como voltar atrás, só sinto um pouco de vergonha, mas gosto também. Aí eu resolvo respirar fundo e aceitar a situação, me levanto e desisto de dormir, sento à sua frente ... fico olhando com um ar desafiador e debochado a sua cara de quem ainda está pasmo se recuperando do que ouviu.
- E aí, agora você me compra por quanto?
Começou assim de modo meio ingênuo, com um textinho para a mamãe na homenagem da escola e as professoras que insistiram nessa idéia não poderiam imaginar o mal que isso me faria: maldita tia Isa que adorava minhas mentirinhas escritas e me pedia para escrever mais e mais, me elogiando nas beiras das folhas do caderno. E, como não me sobravam muitos elogios por outros talentos, foi deste modo egoísta que passei a gostar de escrever: para impressionar a mamãe e a tia Isa, como uma criancinha superdotada que um pouco mais tarde pularia de série como consequência.
Mas não parou por aí, além de ser um ano adiantada e por isso ser sempre a mais nova da turma, as consequências não foram poucas. Quando eu vi estava completamente rendida por tal hábito e já escrevia coisas que não queria que mais ninguém lesse; Os meus segredos, as minhas vontades, os cometas que passavam voando pela minha cabeça... é, não tinha mais volta. Eu precisava escrever e agora não era para tia Isa, não, não. Simplesmente não existia motivo nenhum.
Tarde demais, estes, de precisar sem motivo, são os piores vícios. Agora me encontro no estágio agudo, no surto de dizer as coisas que eu não diria ... e o pior: tem vezes que resolvo escrevê-las aqui. Daí, quando me dá vontade de ler de novo o que eu escrevi em uma espécie de transe (pois não penso no que estou escrevendo e nem olho para o teclado enquanto escrevo), dou de cara com as barbáries e abobrinhas, faltas de vírgulas e de parágrafos que só noto quando um monte de gente já leu e interpretou à sua maneira. Então deixo pra lá, pois não vejo mais sentido em corrigir, uma vez que já fora interpretado não se deve tirar isto das pessoas.
Enfim, só não acho isto pior do que a minha infinita capacidade de me auto-sacanear quando já estou quase dormindo e resolvo, sem mais nem menos, começar a falar pra você tudo o que eu demorei o dia inteiro tentando disfarçar, tentando não dar bandeira e não parecer uma psicótica, uma doida qualquer sem controle nenhum dos impulsos e emoções, ciumenta sem razões para ser, exigindo coisas hipócritas que não posso exigir, falando várias merdas opiniões pessoais e episódios do meu passado, coisas que nem eu sabia que estavam guardadas na minha cabeça e que saem como borboletas voando atônitas de dentro do meu estômago por terem estado presas ali um dia inteiro, fazendo minhas mãos transpirarem de nervoso mais do que o normal.
Tanto esforço para nada, graças ao meu maldito hábito, maldita boca enorme e traidora que eu tenho, malditos textinhos para mamãe, malditos caderninhos com elogios da tia Isa, maldito você que sempre dorme depois de mim e que por isso me flagra neste estado perigoso do dia, maldita sinceridade, malditas menininhas meigas, malditas mulheres fatais, malditas borboletas que saem voando sem pedir licença. E então, sei lá o que fazer depois disso tudo, na verdade não tem muito o que fazer, não é? Não há como apagar a palavra dita (depois que ela sai já não é mais sua, mas sim de quem as ouviu.) Sem ter como voltar atrás, só sinto um pouco de vergonha, mas gosto também. Aí eu resolvo respirar fundo e aceitar a situação, me levanto e desisto de dormir, sento à sua frente ... fico olhando com um ar desafiador e debochado a sua cara de quem ainda está pasmo se recuperando do que ouviu.
- E aí, agora você me compra por quanto?

