Fazem quatro dias que cheguei de viagem. Teresópolis foi indiscritivelmente divertido, os 4 dias passaram voando e quando me dei conta já estava de volta, como se eu tivesse sonhado e acordado no outro dia. Ainda não tive coragem de ir lá mexer na mala. Estou um pouco receosa, confesso. A expressão desfazer as malas me lembra "pôr tudo de volta em seu lugar." E honestamente minha vida está uma desordem tamanha. Por isto não tenho procurado escrever aqui. As palavras estão emboladas,junto com sentimentos, gritos abafados e falta de fôlego. É, meus amigos, estou exausta demais para gritar ... sem fôlego para lutar contra a correnteza sigo a inércia. E como já se sabe: quem não olha por onde anda acaba tropeçando, caindo, ou esbarrando no que não quer. Eu bem que sei disso. E ainda assim, sigo.
Estou errada mas não me culpo tanto assim, porque afinal,a inércia tem sido a única força que tem me levado adiante ultimamente. Aonde quero chegar? Não quero chegar. Bastante simples.
Voltar para minha cidade não foi como eu esperava, não foi como das outras vezes em que senti saudades e alívio ao avistar a Lagoa, os coqueiros, a minha rua, o meu portão ... não. Está certo que enquanto estive fora pensei diversas vezes no abraço da minha mãe, no meu pai me acordando de manhã, no meu avô, e nas outras poucas pessoas que amo e que deixei aqui. Senti falta, vontade de estar junto ... mas só quando cheguei percebi que havia me esquecido por lá. Abracei, conversei e beijei todos aqueles que estavam distantes,mas era como se eu nunca estivesse voltado.
Pode ser estranho me compreender: estou de volta, mas a vida não voltou ao normal. Será que fui eu que mudei tanto assim? Andei procurando esquecer do mundo, e agora não me lembro de quando nem de onde eu perdi meu mundo por aí. Estou com saudades. De alguma coisa que não sei o quê, e carrego uma dor em uma parte de mim que eu não sei qual. Sinto falta de um passado que ainda nem aconteceu. E tudo me soa estranho, assim como esta frase que acabo de citar. É como se aqui não fosse mais a minha casa. Como se o ambiente estivesse se tornado pequeno demais para o que carrego dentro de mim. Não há mais lugar,e cada vez me parece mais impossível pôr tudo em ordem. Talvez por isto as malas nunca tenham sido desfeitas.


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