Não sou dessas mulheres de grito histérico quando uma barata resolve aparecer. Neste ponto nasci menos feminina, conseguindo muito bem me locomover até o inseticida mais próximo e aniquilar o inimigo sozinha. Mas acontece que quando o bicho em questão não é uma barata, nem um rato, nem uma lacraia ... mas sim uma mariposa, as coisas mudam.
Sinto um pavor inexplicável. Nunca entendi este meu complexo pois, por incrível que pareça, adoro borboletas. Talvez seja porque as mariposas sempre me pareceram misteriosas demais. Afinal, não é de se ver por aí, cotidianamente, voando felizes à luz do dia. Elas surgem quando querem (não sei da onde) e ficam lá, pousadas. Quando menos se espera. Por dias se ninguém se der ao trabalho de tirar. Enormes. Com as asas bem abertas e aqueles desenhos que parecem olhos. Vão embora quando sentem vontade. Tenho cada vez mais a certeza de que não são comuns (suspeito que em algum lugar secreto do universo exista um submundo de mariposas.) Perdi a conta de quantas crendices especulam sobre elas... acredito sim que sejam um sinal. Mas de quê?
Talvez sejam somente as almas das bruxas velhas e feiticeiras, que depois de mortas transformam-se em mariposas. Sei que não me farão mal, mas ... Tudo bem. Esqueça essa história de bruxas velhas e submundo. Juro que vou parar, comecei só porque lembrei do primeiro sonho que tive no ano passado.
Acordei apavorada porque no sonho mariposas me cercavam por todos os lados, e não adiantava que eu as espantasse. Estavam sobrevoando o meu quarto, mudavam de uma parede à outra, inquietas, aos montes. Eu entrava em pânico. O cúmulo foi quando fui me esconder em baixo da cama... e adivinhem. Também estavam.
Fechei a porta do quarto às pressas. No sonho eu ainda estava com muito sono e não hesitei em deitar do lado de fora da casa, no chão da varanda. Dormi tranqüila longe delas, mesmo não chão duro e frio. Entretanto, assim que acordei senti um peso leve no rosto. Gritei ao perceber o que era: uma das grandes, pousada sobre os meus olhos. E assim estavam também as outras cobrindo todo o meu corpo. Levantei da cama num pulo (desta vez acordada de verdade) e fiquei muito aliviada ao perceber que não havia no quarto mariposa alguma.
Era dia primeiro de janeiro e eu nem havia visto ou sequer falado no assunto nos dias anteriores. Nunca acontecera outra vez algum sonho parecido.Estranho... Curiosa que sou, me permiti a um acesso de superstição (afinal, que mal tem? Todo mundo é um pouco supersticioso nesta época do ano...) Tá, vou admitir logo que fui pesquisar o significado do sonho. Pronto. Não riam (muito).
Pode ser psicológico, mas quando olho para 2010 eu vejo que aquele sonho tão esquisito teve razão, por coincidência ou não, o significado dele se refletiu o resto do ano; mas este nem é o fato em questão.
2011 será um ano de mudanças, literalmente. Além de tudo o que está acontecendo,estou mudando de apartamento,resolvi dividir um ap com mais 4 pessoas... enquanto simultaneamente o meu quarto na outra casa está em reforma. Foi metendo o bedelho em alguns detalhes da decoração que eu havia decidido que este – ao contrário dos outros anos – seria de cores bem fortes, multicolorido. E num estalo muito repentino eu disse "- quero laranja! Pronto!" Sem menos ou mais, e ficou por isto mesmo. Quem ouviu deixou pra lá e eu também, porque fui outra que não tinha me entendido.
O curioso se deu neste dia 31 de Dezembro, um pouco antes da passagem de um ano à outro. Exatamente às 11:45 da noite uma borboletinha de um alaranjado muito vivo apareceu do nada na tenda em que eu estava, na cidade de Cabo Frio. Sobrevoou serelepe sobre a cabeça de minha amiga à minha frente, me arrancando um sorriso. Quiseram espantá-la sem saber como. Ninguém sabe como chegou. Não se sabe o que estava fazendo àquela hora. Desapareceu poucos minutos depois, da mesma forma misteriosa que surgiu.
Assim que foi embora, me concedendo licença para ir até a beira do mar, e logo explodiram-se os fogos mais bonitos que já vi. Fechei os olhos compreendendo. Respirei a brisa do mar e aquiesci para ele, agradecendo.


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