30 de set. de 2010

Meu ciúme

@créditos á Bianca/ foto 2009



Estou com aquela sensação estranha de ter mergulhado a ponta do dedo num copo de passado e enfiado na boca rápido, descobrindo numa lambida só que algumas coisas quando amargam não voltam a ser doce depois de um período de abstinência. Tentei me levantar e ir ate a cozinha para tomar um copo d'agua,a tela do computador ficou um pouco torta de uma hora pra outra e meu equilíbrio que andava tão em dia comigo resolveu falhar.

Esse é o problema de gostar das pessoas. Pessoas fodem sua vida, partem seu coração, comem outras pessoas quando deviam estar só comendo você. Pessoas têm passados de histórias de amor que não foram com você e, no fundo, a gente sempre sabe que a gente também tem o nosso e faz parte do passado comprometedor de alguém. E pior, até onde vale à pena lutar com garras afiadas contra o passado de quem a gente ama, ou esconder com todos os recursos de privacidade o que já aconteceu na nossa própria vida?
O problema do meu ciúme é que ele é tão grande que acaba ficando sem foco.

 Meu ciúme não tem nome porque eu consigo dar variados nomes à ele todos os dias, em todas as suas ações eu consigo achar alguém que está ali, bem escondidinho no canto do seu cérebro que administra todas as lembranças que foram feitas antes de eu chegar. Meu ciúme é tão imbecil, que eu às vezes penso que se eu abandonar você eu posso finalmente me tornar uma lembrança grossa que também caber (e ainda roubar o lugar de algumas pessoas) nessa parcela de massa incefálica que eu ainda não posso entrar.

Se eu fosse passado e não presente, seria eu que ia importunar, não quem estaria sendo importunada.
Daí eu fico inspecionando meu passado de perto todos os dias atrás da moita, que é pra eu me lembrar que eu também tenho um e que, se você resolvesse futucar aqui e ali o tempo todo, você também sentiria ciúme de mim. Mas aí me vem sempre aquela outra pergunta: será que você não sente também? Ou será que só sou eu mesmo que sou a louca e não entendo... eu sei que esse meu ciúme bobo não resolve nada, ou se acredita no que se "tem" ou se vai embora e pronto?!

E você, amor, você que deve ficar ai confuso também tentando imaginar o que se passa aqui nessa cabeçinha tão ingenua. Enquanto os outros guardam de mim memórias pequenas, você me reconhece nos meus gestos mais comuns e me enfrenta no meio dos meus devaneios, no meio dos meus ataques de morte, das minhas tentativas de guerra contra todos os demônios que habitam minha cabeça porque ela é sempre cheia de tantas coisas, funcionando muito mais rápido e atribuladamente do que a das pessoas normais.

Eu tenho tanto medo de um dia uma mulher normal, com cabelo liso,grande ( porque eu sei que você gosta), roupas iguais às de todo mundo e senso de humor medíocre te leve de mim. Porque essas pessoas que são só pessoas – realmente iguais à seus iguais – são normalmente mais fáceis de se conviver.

Porque eu sei que você acha a minha loucura bonita e até meio poética, mas eu sei também que você já achou tudo isso muito mais lírico do que acha hoje e que, um dia, pode de verdade cansar de tanto surto.
Na nossa guerra diária de passados, de outros amores, de decisões, de foco, de fica, de fode, de fato, não é a vontade de ganhar de você que me move, mas sim o medo de te perder. A qualquer hora sem aviso, para qualquer uma dessas coisas.

Meu ciúme é tanto que eu acabo olhando muito para o meu passado. E eu sei que sou louca – você as vezes já deixou escapar que sou bobinha e eu também tenho consciência – , mas se eu encontrasse o tão falado gênio da lâmpada hoje, o pedido seria simples e sim, insano: um mundo sem passado, pra mim e pra você.

28 de set. de 2010



No momento eu preciso exatamente daquele carinho pra continuar a ter forças pra suportar essa situação. Precisam de mim e eu preciso de você.

26 de set. de 2010

Paro em frente ao espelho. O que eu tenho? As mesmas olheiras de sempre, cavando meu rosto, cada vez mais fundas. Faz tempo que eu não durmo bem. Tenho sonhos loucos, sonho com tanta gente... O que essas pessoas vem fazer no meu sonho? Faz tanto tempo que eu não as vejo... Na minha cidade a única coisa que eu consegui deixar foi a minha eterna ausência, e eu cheguei a pensar que logo me esqueceriam... mero engano. Ai bateu desânimo

Confesso! Dos verdadeiros e sinceros eu não esqueci, não os abandonei, estão aqui comigo.. esses eu trouxe à tira colo. Os outros eu tambem trouxe mas os deixei junto com uma mala pesada de roupas sujas, que não combinam nenhum pouco com a vontade de fazer mil coisas que eu tenho, então embrulho, deixo guardada dentro da frasqueira para quando o ânimo bater de súbito. Tenho esta esperança de que o ânimo uma hora vença o cansaço, embora eu passo todos os dias corretivo com vontade de dar um pouco de paz para as minhas olheiras amigas, (ultimamente as únicas companheiras que tem me agüentado sem reclamar de nada, nem do meu mau-humor e nervosismo à toa, vejam só), estou muito grata à elas.

E, (por mera gratidão) vez ou outra, até consigo regá-las com as lágrimas mais sinceras que eu tenho, para que floresçam. Mas não é sempre que dou esta sorte de estar fértil, úmida, chorosa. Não é sempre que eu consigo. Queria ter vontade, é tão chato estar seca, e o nervosismo é seco. É explosivo, mas seco. E o mau-humor é seco, farpado, mas seco. Neles, de fato,não há nada produtivo. É terra árida mesmo, diferente do choro.

O espantoso no meio disto tudo sou eu conseguir sentar pra ler um livro e me distrair. E isto não era pra ser bom? Não sei se é, sinceramente. Tem horas que eu preferia entrar em curto-circuito, dar pane, soltar o grito, o verbo, o amargo, sair pelada na rua rindo da cara dos outros e apontando só pra levar um soco na cara de um estranho, jogar a merda no ventilador, ver tudo voando pra todo lado, sangrar, beijar meus machucados, arrancar a casquinha, pular de cima da ponte para um rio, fazer um circo, deitar no chão e me debater até cansar, sem ter ninguém pra me dar colo, não, eu não quero! Eu quero sofrer, não me encostem, nem me estendam a mão, me deixem sofrer, por favor! Juro que eu queria. E depois, me levantaria discretamente, sacudindo a poeira do corpo, saindo de fininho com a cara e a alma mais lavadas do mundo e fingiria que nada houvera acontecido. Dizendo com alívio: "- Pronto, passou."

Queria reaprender a me permitir ao sofrimento. Mas não! Eu insisto em continuar, e não me abater ( mas não é porque eu quero) é porque depois de tanta coisa vivida eu andei aprendendo que fazer alarde não resolve nada mesmo. Então a gente aprende a se adaptar, encarar, conformar, deixar pra lá, não ter vontade de chorar, dizer (no máximo) "que pena", abrir mão e viver. Simples! Dizem que isto é amadurecer...
Mas é assim? Tive dúvidas no começo. É assim mesmo? Assim que as coisas se dão, tão facilmente, e eu não sabia? Sem nenhum complexo, nenhum trauma, e nenhuma graça?

E, se preparem, porque aí vem o pior, (vou escrever em letras minúsculas porque me envergonho) : não é que eu tenho tirado proveito desta coisa toda? É, desta tristeza (não é bem tristeza porque não me sinto verdadeiramente triste, mas não sei ao certo como definir, então vou usar a palavra tristeza mesmo,e vocês , me desculpem de antemão pela falta de interesse em criar outra palavra). Não é que justo desta tristeza tem me surgido toda a inspiração para escrever, sair, conversar ou simplesmente pensar?! Fico indagando como pode uma pessoa tirar proveito,achar isto lucrativo? Me sinto um pouco egoísta. Tanta gente no mundo querendo sair da fossa, e eu achando ouro nela.

Estou me sentindo confortável,este é o pior: estou bem. Sem nem me preocupar em me desesperar – que nada! – Tudo bem, levanto da cama num pulo e vou na esquina comprar uma revista para ler em casa, sozinha. No caminho de volta passo na padaria e compro dois pães, um pra agora e outro para amanhã bem cedo. Então, antes de abrir a porta novamente eu penso : E as pessoas que me escorreram pelos dedos? - Eu lamento. - E todos os momentos que não se repetirão?- Lamento. - E a falta que deixarão? - Lamento também.- O que há comigo? Que não escreveria este texto por nada, não achando necessário, se não fosse por muita insistência de mim mesma e das minhas olheiras, que não me deixaram ir dormir simplesmente ignorando os fatos e me fizeram sentar, parar e escrever. Para quem? Por que? Com qual finalidade? Não sei , e lamento não saber.

Acho que o pior que uma pessoa pode dizer nessas horas é "eu lamento." Mas que diabos de expressão inútil é essa? "Eu lamento". Lembro de uma vez em que eu fui ao médico para descobrir que a minha escoliose estava duas vezes pior do que antes sem nenhuma explicação, apesar do tratamento. E o tal doutor me olhou fundo nos olhos com a cara mais imóvel do mundo, mexendo apenas a boca para me dizer num tom sem nenhuma emoção:
"- Eu lamento, muitíssimo."

No momento exato em que ele terminou de falar me surgiu uma vontade enorme de lhe enfiar uma bifa na cara e dizer : " –É mesmo isso tudo o que você vai fazer? Depois de todos os exames, tratamentos, você volta aqui pra me dizer que lamenta muitíssimo? É isso o que você tem a me dizer? Como assim, eu lamento?”
Saibam que lamentar, além de ser a pior coisa a se fazer, também é a pior a se dizer. Mas, infelizmente, é o que eu tenho escutado de mim mesma ultimamente, à contra gosto. Inclusive, tenho escutado muitas coisas de mim, ou melhor, daquela voz que tudo sabe e que existe em algum canto escondido da gente, nos falando coisas que nem a gente sabe que sabe.

 Tenho a vontade de perguntar muitas coisas a esta voz, mas esta é uma voz teimosa que só aparece quando quer, e enquanto isto eu tento de todos os modos (mentalmente, por escrito ou em voz alta como uma louca embaixo do chuveiro) fazer com que ela me escute: E esta saudade monstruosa com que eu me cubro todos os dias antes de dormir para me proteger do frio? O que fazer com ela? O que fazer quando se descobre, no susto, que saudade não mata? O que há a dizer quando se vive de saudade?

20 de set. de 2010

Estou me surpreendendo.

Tenho me controlado mais do que o normal. Situações que eu estaria totalmente sem reação, e total desorientada, tenho conseguido manter a calma e a postura. Embora há momentos de brincadeira, discontração e sorrisos, também exite aqueles que me desepero, perco o chão e me tranformo em uma criança chorona. É mais forte do que eu.
Não sei dizer se isso está sendo bom, ou ruim. Sei que por enquanto não vi algum resultado. (se é que isso vai dar algum resultado)

Ps: Vou dormi

:*

13 de set. de 2010

Nhééééé

Não tenho muitas palavras. E  não sei como começar esse texto. Ok! Primeiro queria agradecer à Line e a Ry por ter feito do meu final de semana ser maravilhoso, por ter me acordado as 08:00 da manhã em plena segunda-feira, me alegrando e me convencendo a entrar no site  para ver a classificação do curso. Na verdade, devo a todas as pessoas de sabado e ontem, por terem feito tudo dar certo, e feito com que meu final de semana fosse extremamente OTIMOS. Tinha até me esquecido de como é bom estar fora da rotina, fazer coisas novas, ver gente nova, sair pra outros lugares, respirar novos ares, mesmo que isto te custe alguma coisa. Valeu a pena, sem nenhuma dúvida... Estar ao lado de quem nos quer bem, de quem nos diverte, e sempre bom.
Que notícia ótima eu tive hoje! Espero que continue assim, que os bons ventos soprem sempre o que tiverem de melhor, porque pra quem leva a vida com amor tudo fica mais leve.
Então...lembram sobre o que eu disse na publicação do dia 09/09/10 ? Sobre ter acontecido um incidente com o número da minha redação, e que com certeza não seria corrigida ?Pois é gente, eu consegui sim.
Não sei que milagre aconteceu, mas corrigiram a minha redação, e advinha? Passei. Nem acreditei quando fui olhar a listagem de nomes (só por olhar né?). Já tinha até me conformado e nem quiz procurar saber. Mas a Line me convenceu ( claro ela já sabia huauhaauh) Já comecei olhando do último número pra cima, acho que era o 150 ... e nada de ver o meu nome.
Falei pra ela " Pois é Line, desisto, já olhei quase tudo aqui." Quando ela me disse, lève les yeux. "" Quoi? "" Regarde, le deuxième nom sur la liste...  Traduzindo : " olha pra CIMA." "Que?" " Olha pra cima, o SEGUNDO nome da lista." huahauhaua
Passei em segundo lugar ainda por cima. Inacreditável. E é isso aí geeeeeeeente. PASSEEEEEEEI Tô muito feliz começando uma segunda-feira assim,não preciso de mas nada  :d

Agradeço a todos que torceram por mim... OBRIGADA mesmo de coração.

12 de set. de 2010

O resto é mar, é tudo o que eu não sei contar.

♪ Vou te contar, os olhos já não podem ver, coisas que só o coração pode entender .
Fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho.
O resto é mar, é tudo que eu não sei contar, são coisas lindas que eu tenho pra te dar.
Vem de mansinho a brisa e me diz : " - é impossível ser feliz sozinho."
Da primeira vez era a cidade, da segunda o cais e a eternidade ...
Agora eu já sei da onda que se ergueu no mar e das estrelas que esquecemos de contar,
O amor se deixa surpreender, enquanto a noite vem nos envolver ♪




Ouvir essa música dá uma saudade do Brasil... da Cidade Maravilhosa,da praia,do calçadão,das caminhadas, do "bom dia" vindo daqueles que você nunca viu na vida, da agua de coco,da lagoa,da saudade de tudo. Ah é essa foto ai em cima... Eu e Braian foi tirada no começo do namoro. Haha como eu fui feliz nessa época.E vendo essa foto confesso que bateu saudades dele tbm.Saudade da amizade que permaneceu mesmo depois que terminamos, da presença, da risada..e ele vai sempre existir na minha vida. Mesmo o amor que um dia fez com que jurassemos milhares de coisas, ter se transformado em amizade, eu vou levá-lo pra sempre comigo... e eu sinto muita falta dele aqui. "O resto é mar, é tudo o que eu não sei contar." ♪♪

9 de set. de 2010

Quem sabe na próxima?

Eu disse que voltava em breve, só não imaginei que seria assim tão breve.Queria eu começar um texto falando de coisas boas. Mas não, não hoje... quem sabe na proxima? Dia 10 de setembro amanha ne?! Completa 1 mês que estou morando na França. Esperei tanto pelo dia 10 de agosto e cá estou ... eu tinha preparado tantos sonhos pra este ano com cuidado e eu já podia vê-los começando a dar certo. Infelizmente não cheguei a tempo para me inscrever para uma faculdade em Nice, então so me restava no momento ficar por aqui. Mas como eu sou uma pessoa muito "sortuda" consegui me inscrever para um curso aqui mesmo.Fiz a prova, passei a primeira fase, e modéstia parte me dei muito bem, cheguei a gabaritar duas das matérias específicas na prova discursiva. Passei pra 2° fase... mas então, por ironia do destino aconteceu um incidente na minha redação, justamente a parte que eu mais gosto de fazer. Por descuido, falta de atenção, bobeira, chame lá do que for ... não vi que havia um espaço reservado para pôr o número da proposta de texto escolhido. Resultado: acho que não vão corrigir minha redação. Provavelmente será anulada,tenho quase certeza que foi anulada e não adiantará de nada ter sido excelente no resto da prova inteira, não há maneiras de passar sem a redação. Enfim, me senti destruída no começo, arrasada, desacreditada ... uma azarenta. Mas depois passou, respirei fundo e ergui a cabeça como sempre. Pra ser sincera agora não sei bem ao certo o que vai ser daqui pra frente, mas eu aguardo confiante. Bani a palavra azar do meu vocabulário. Eu acredito no destino. O que é pra ser meu vai ser, e de repente esta não seria minha melhor oportunidade. Não sei se devo continuar aqui sei que há tantas coisas no Brasil a minha espera. É não sei, não sei. Porém o que me resta agora é me esforçar mais um bocado e correr atrás das novas oportunidades que virão, e isto não é problema pra mim, meu caro. Empenho e força de vontade eu tenho de sobra! E é assim que se fala.

" Ô minha filha, as suas dores não são as maiores do mundo e nem vão ser. Sacode a poeira. Toma um banho de rio. Abre essas asas. Grita alto, chora baixo. Pula alto e cai de cara. Desenha toda a beleza do mundo. Compra uma caixa de lápis de cor e sai aí colorindo a vida."
(Tati Bernardi)


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