Pra começar eu não sei um modo de ser amor só de segunda a sexta-feira, nem ao menos me acostumei a ter carinho com hora marcada como num sábado às 7:30 da noite com horário pra acabar. Eu sou essa
moça que anda descalça pelos corredores da faculdade e que não está nem aí pro povo de que me olha torto. Eu faço produção cultural e é isso.
Acho que fui bem na prova de antropologia que acabei de fazer, mesmo sem ter lido os textos auxiliares. Eu tenho esse dom de rebuscar as palavras, investir nos meus devaneios. Tenho o dom de inventar e não sei como achar a resposta certa. O que eu não sei é mentir direito. Não que isto seja uma virtude minha. Não, é falta de talento mesmo. Já tentei mentir inúmeras vezes e até hoje não aprendi qual cara a gente faz pra não se denunciar. Desisti com o tempo, acabei aprendendo que falar a verdade é o melhor caminho. Sustentar uma mentira me cansa muito, e sabe, eu não funciono quando estou cansada.
Fico sem comer, estressada, emagreço horrores. E mesmo assim tem dias que eu acordo me sentindo a pessoa mais gorda do mundo. Peso 52 kg mas tenho para mim que a balança tem dó e mente. Me sinto visualmente mais gorda que isto quase sempre, menos quando vou a praia e sinto a falta de atributos proeminentes na região dos glúteos. Só nessas horas eu fico magra. Mas tudo bem, só tenho estes complexos vezenquando. Eu até queria ser mais vaidosa só para gostar de pentear o cabelo. Se eu digo que eu não gosto agora é porque antes eu odiava. É que era trabalhoso quando ele estava na altura da cintura, sabe? Aí eu parei em frente a um salão desconhecido e disse " Corta aí, faz o que você quiser." Tá pequeno agora.
Primeiro eu ouvi que eu era muito louca mas depois as pessoas me elogiaram e perguntaram qual era o corte. Eu sei lá qual é o corte! Eu não gravo nem nome de filmes nem de atores, vou lá saber do corte? Mas misteriosamente sei de cor os títulos de todos os livros que eu li. É que tenho um acervo particular, é o meu vício. O que eu não gravo também são as letras de música que eu misturo e inverto ... e canto mal. Mas não tenho vergonha. Gosto da minha voz desafinada, as pessoas é que não gostam... mas o azar é delas.
Ultimamente as pessoas não tem sido muito boas, quero dizer, uma minoria insignificante não tem sido boa comigo. Duas pessoas pra ser sincera, saíram por aí inventando coisas a troco de nada. Mas isso não me prejudica porque eu tenho uma boa conduta e as pessoas sabem quem eu sou e não dão ouvidos para fofocas. Só interfere em mim no sentido de ... cara, que coisa nada a ver isso! O que leva um ser humano a este ponto?
Enfim, acredito muito na regrinha que diz " cada um colhe o que planta" e por isso não sou vingativa. Não sou do tipo de gente que ocupa o tempo guardando mágoas. Passo a maior parte do meu tempo cultivando o amor que tenho dentro do peito e me cercando de coisas boas. Eu fico tentando também demonstrar pra quem eu amo... mas neste quesito sou falha. Sou a pessoa mais sem jeito do mundo pra dizer as coisas e por isto prefiro escrever. E nem tudo que eu escrevo tem coerência até porque os meus sentimentos não tem. Sou inquieta, exagerada e sentimental. Acredito que isso dá pra perceber quando me leem. E se notarem alguma frase com palavras trocadas ou sem conectivos, preocupem se não vocês, que é normal no meu caso.
Pra ser sincera eu não gosto de escrever textos assim, mas ultimamente só tenho escrito desta forma. E está tudo desordenadamente bem. Falando nisso, a cozinha está uma desordem completa e acabo de lembrar que preciso organizar os arquivos do computador em pastas porque se eu não me engano misturei os assuntos dos seminários de Música e Teoria da arte. Misturei muita coisa ultimamente e acho que confundi tudo. O máximo que eu podia fazer agora pra resolver isso foi seria sentar em frente ao mar e ficar quietinha olhando, ai como eu queria, deitar na areia e dormi por horas.Tenho certeza que iria saí de lá mais leve, ficar sem falar por algum tempo. Se eu pudesse eu seria igual ao mar, sabe? Saberia dizer as coisas sem precisar dizer nada.
Mas como eu ia dizendo, eu não sei ser amor de vez enquando nem com hora marcada e eu passei este texto inteiro maquinando uma forma de te dizer isto e não consegui.


6 comentários:
"E nem tudo que eu escrevo tem coerência até porque os meus sentimentos não tem. Sou inquieta, exagerada e sentimental. "
É mesmo. ahehahaehaehahehehea
Ah Pri, gostei do texto! É muito bom ter que se preocupar com coisas pequenas. Continuo invejando seu gosto por leituras e ainda preciso te devolver um livro seu que eu não lí... xD
Quanto a dormir na praia, que merda... Voce acorda todo cheio de areia, com os olhos ardendo, a coluna torta e a pele ardida. A não ser quando voce dorme a noite, aí voce acorda com frio. Va já pra casa e vá ler debaixo do seu edredon! ahehaehaeheah
bjo! to de olho aqui!
Ahh, dormir na praia deve ser bom! Acordar com o barulho do mar... Bom, eu ainda naquela velha ilusão de quem não conhece a praia, mas enfim, essa parte do mar ficou poética. Mesmo sem mar por perto acho que entendi o que você quis dizer sobre falar sem palavras. Quanto a amar, nem dou palpites, acho que não sou das melhores para aconselhar.. Mas de todo o resto do texto eu posso dizer que embarquei nas suas palavras, fui seguindo as linhas sem perceber de tão gostoso que estava de ler. Diga você que às vezes as frases podem parecer sem nexo, mas gosto muito de tudo o que vocÊ escreve.
Beijos!
Me confundi lendo isso.
Tinhas horas em que eram apenas palavras, tinhas horas que viravam desabafos teus, tinhas horas que viravam pensamentos meus.
Me reconfundi quando re-li. Deixa estar.
A vida não foi feita para se entender mesmo.
Uhn... também preciso organizar uns arquivos no notebook...
Mas não importa o jeito que você escreve, os como os textos estão. Sempre estão bons, pode ter certeza. E o importante é que você está escrevendo.
bjão e bom fim de semana. =^.^=
O interessante é que esse seu texto mesmo desordenado e meio complexo faz muito sentido rsrs.. adorei.
Saudades tchuca
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