Não sei. Posso mudar de ideia daqui alguns anos, ou meses, ou dias, não sei. Mas o que vivo agora é sempre uma certeza, afirmo. Depois, se mudar de idéia, me contradigo. Tenho sempre novas teorias, estou desenvolvendo, amadurecendo e pensando. É disso que o meu avô ri depois de escutar as minhas teses. E gosto do meu avô por inúmeros motivos, mas este é um dos principais: nunca me achou jovem demais pra nada. Diferente das outras pessoas muito mais novas que ele, que sempre me dizem que é coisa da idade, e que sou jovem demais, o meu avô sempre me escutou e levou em conta. Depois de escutar ele sempre sorri e me diz que é bom eu estar pensando. Não importa como, nem em quê, ele diz e me pergunta:
- Faz sentido?
- Faz vô, faz todo sentido pra mim.
- Então você deve acreditar.
E eu sei que devo. Sei sim. Já me disseram que eu penso saber muitas coisas, e pensar saber é ser "arrogantezinha", como diz meu pai. Mas eu não penso saber, eu penso. Só isso. E isto que importa, é o que penso agora e que pode não ser mais meu pensamento amanhã. Mas por enquanto ponho toda a fé do mundo, afinal, o que será da vida se a gente não acreditar?
Acreditar. Não parece uma palavra mágica? Pois pra mim não parece, é. Acredito enquanto faz sentido pra mim, sem nenhum medo de me arrepender e me contradizer mais tarde. A verdade é que não me contradigo, pois nunca sou a mesma, e logo, aquela pessoa que lhe afirmou algo há um ano ou um dia atrás não é a mesma que sou, assim como a minha opinião não é. Minhas idéias correspondem ao que sou, e eu sou o agora, sou o futuro, mas nunca o passado. Não sei, não consigo me imaginar no mesmo corpo e nas mesmas palavras de antes, já fui muitas, mas no presente sempre sou só uma.
Posso ser várias no futuro. Sou infinita. (E vejo nisso um fascínio.) Infinito, no sentido banal e literal da palavra quer dizer não ter fim. Mas, no sentido mágico de quem acredita, além de não ter fim, ser infinito significa muitas coisas mais. Ser infinito, no meu caso, é estar completo e querer ainda mais, desejar. O que me move é o desejo, pois tenho dentro de mim uma inquietude. Não consigo me acomodar, me conformar, empurrar com a barriga, manter, estabilizar. Não sou estável, nenhum pouquinho ( e isto não é bom, muitas vezes), mudo sempre desde o cabelo até a raízes que estão fincadas em mim. Aliás, quase não tenho raízes a não ser aquelas mais profundas, que não se desprendem nem querendo.
Minha crença é enraizada no evangelio, cresci indo à igreja, ainda assim, não foi o suficiente. Não me bastou, não poupou a minha mãe do susto de quando ela me ouviu dizer que acho as religiões africanas o máximo, e que acho que em todas as religiões, mesmo sendo tão diferentes, há um fundo igual ou muito parecido. A diferença para mim está em acreditar. Escolha alguma em qual seja mais natural acreditar, ou não escolha, apenas acredite em algo, em alguém, em você mesmo. Tanto faz.
Acreditar e desejar. São as palavras que movem o mundo. O mundo é feito de desejo e crença, o resto é apenas consequência. Repito: O mundo é conjugado pelo desejo e pela crença, o resto são verbos derivados. Afirmo, sem medo de afimar, pois quem tem medo não acredita. E eu confio no que digo (pois confiar, de acordo com a minha gramática é verbo derivado de acreditar.) Mas na verdade, não sou convicta, isto é outra coisa, porque posso mudar. Quero mudar. Desejo e amo o novo.
E também o amor é apenas uma resultante do desejo, que vem primeiro e que nada mais é do que um fio desencapado à espera de algum impulso de energia que entre em curto-circuito. Acredito em energia, nas forças do universo que regem o mundo, no equilíbrio espiritual e mental, na força do pensamento e do desejo, mais uma vez, acredito na potencialidade do desejo. Tive ainda poucos amores, ou talvez nenhum, como sabê-lo? Não sei, mas desejo tê-los, vários, diversas vezes, em muitas ou em uma pessoa só. Não importa, pois, como citei ali em cima me dando como exemplo: as pessoas nunca são as mesmas, e acho que este é o único motivo que me faria permanecer com um alguém.
Até mesmo o amor, eu opino, precisa ser reformulado, inovado, abalado, ou sei lá, as pessoas precisam crescer, amadurecer, experimentar, desejar, errar e mudar, como eu já disse em diversos outros textos: " A minha vida é feita de recomeços." E de tudo o que me sobra destas reviravoltas todas não há muita coisa além do que muitas idéias na cabeça e muito desejo/amor no peito, acho que quase nada mais. E, penso eu neste instante, que este quase nada é que deve ser o infinito. Como assim? Posso explicar-lhe agora: No nada cabe muito mais coisa do que se possa imaginar, é justamente onde nada foi formulado, estabelecido, moldado, ou ocupado. É somente no vazio que cabe o infinito.
Portanto já não posso afirmar que sou isso ou aquilo. Simplesmente não sou. Não sou nada, eu acredito, é só isso. Não estou fadada a ser. Pois ser, para mim, é quase uma sentença ou um castigo. Pensar é mais importante.


8 comentários:
Muitas palavras que não carecem significado imediato..Bom encontrar cabeça bonita que nem a tua. Me inspira!
Escreva sempre.
Beijo, doce novidade a la varias vertentes...
Por isso te gosto,te leio assim, meio espelho, meio boneco de Judas(sentido figurado,não assusta).
E um prazer, sobre todas as coisas.
Bjo,
Eu simplesmente odeio quando me dizem que sou nova demais pra entender alguma coisa da vida, ou que é bobeira da idade, que é fase.
Ora, que me deixem passar. Mania de todo mundo querer parecer mais sábio que os outros.
E acreditar? Nossa, tô precisando muito "acreditar" nessa palavra haha xD
O ruim da minha característica mutável é que eu também posso perder toda a fé que, subitamente, eu resolvi ter por um motivo maior. E essa dualidade de vez em quando me irrita. Eu queria ser mais estável.
Saudades da minha Guria linda
Beeeeeeijo
Menina danada, organiza umas palavras de forma estética e quando se vê.
Está ela explicando um pouco do mundo.
Ah acreditar... fácil, dificil, complicado, inseguro... mas talvez, somente... certo...
Bjão
É bem isso. Eu estou sempre dizendo, e me desdizendo também. Nós temos esse direito. Afinal, estamos mudando nossa visão de mundo a todo momento. Seria meio retrógrado manter a mesma opinião sempre, sem nem se questionar muito sobre ela não é?
Beijos
Gostei do teu vô...! Fez pensar no meu, que gosto tanto!
Lindo blog menina!
Bacana o seu blog
Você gosta de escrever, talvez se divirta em:
http://papopoetico.blogspot.com/
A Poesia é necessária
Tudo de bom
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