19 de out. de 2010

Eu quero...

Eu quero me apaixonar. É isso. Exatamente isso que tá faltando na minha vida e eu sinto tanta falta. Entende? Não quero um amor, porque isso eu já tenho e bem grande por sinal, eu to dizendo é que quero sentir aquelas sensações patéticas e tolas! O famoso friozinho na barriga, o medo de estar sendo idiota, a alegria mongol quando ele ( nesse caso um desconhecido qualquer ) te dá oi ou rende um assunto sem importância quando se encontram. É a vontade de querer estar sempre com essa pessoa, não importa onde, mas só de estar com ela já está de bom tamanho. É esperar esbarrar com ela na rua, assim sem querer... Sei la, eu quero sentir de novo tudo isso. Eu quero me apaixonar. Seja pelo novo ou pelo velho. Mas quero.



 
Eu quero me apaixonar outra vez ♪♪

15 de out. de 2010

Sonho! Quem nunca teve um sonho pra sonhar?


- Então, tá. Você disse que queria saber do meu querer. Vou tentar te explicar. É simples, mas é vasto. Não se assute com tudo, qualquer coisa pode pedir pra eu parar, eu páro. Mas por favor, não desliga o telefone.


- Sei. Pode falar.

-O meu querer se resume a uma palavra: você.

- Mas você havia dito que era vasto. Como pode ser assim? Olha aí, já está se contradizendo.

- Estou nada, não tem contradição nenhuma nisso.

- Mas eu não vejo nada de vasto nisso.

-É vasto, é gigante, e eu posso colocar o mundo dentro dele, quer ver?

- Eu não entendi.

-Eu sei.

- Se você sabe, explica !

- Se resume a você porque eu quero estar nos teus pensamentos antes de dormir, que você lembre do meu perfume, sinta saudades e tenha vontade de me ver todos os dias; sem pular nenhum do calendário.Eu quero um pedaço teu, quero sentir que tem em você uma parte que se preocupa comigo, que se importa. Eu quero doação. Eu quero teu sentimento, eu sei que tem alguma coisa guardada aí dentro. Eu quero atenção, cuidado.Eu quero te encontrar na rua e atravessar pro outro lado correndo, ouvindo as buzinadas dos carros, e quando chegar do outro lado, encontrar teu corpo e num abraço deixar todos os pesares do dia. Eu quero conseguir ler em teus olhos tudo o que a tua boca não consegue me dizer. Eu quero que você me beije de verdade, com o corpo todo, não só com os lábios. Eu quero que meu batom nunca saia da sua boca. Eu quero me pintar pra te ver todo dia, como se fosse o nosso último encontro. Eu quero acordar do teu lado e depois que vc for embora voltar pra cama só pra sentir teu cheiro no meu travesseiro, e ir ao banheiro e encontrar um 'eu te amo' em batom vermelho no espelho. Eu quero te esperar chegar com vinho e roupas de cama novas. Eu quero que você me coloque no colo e que nesse encaixe, eu sinta o mundo todo desaparecer. Eu quero ser pra você o que você é pra mim. Tá me entendendo? Eu quero dizer que te amo com todos os teus defeitos que ao meu ver são adoráveis.

-Hein, você acabou de dizer.

- Eu disse que eu queria.

- Você disse que me ama

[..] fica silêncio de um lado, fica silêncio do outro.

- Eu tinha ligado mesmo só pra dar boa noite, desculpa tomar teu tempo com essa história de querer.

- Não, não peça desculpas. Você é boa em explicar essa coisa de querer.

- Eu sou exagerada.

- Você é linda.

- Não fala assim, eu fico sem graça. Acho que está tarde, eu vou deitar e você tem trabalho amanhã cedo, tá na hora dos dois , né?

- É verdade, eu tenho trabalho.
-É.

- Posso falar uma coisa?

-Pode, to escutando.

- Eu acho que eu sei o que é o meu querer.

- Sabe?

- Sim, acho que sim.

- E qual é?

- É caber no teu querer.

[...] fica silêncio de um lado, fica silêncio do outro

- Ainda está aí?

- Estou sim.

- O que acha disso tudo?

- Acho que pela primeira vez na vida, eu to acertando.

- Essa ligação tá ficando demora, vamos dormir.

- Vamos, mas só pra constar. Foi a ligação mais importante da minha vida.

- Foi a mais linda.

- Quero só mais uma coisa.

-O que?

- Que você sempre encontre espaço pra caber no meu querer.

[...] ela suspira de um lado

- Eu tenho teu coração, não preciso de mais nada.

[...] ela sorri do outro.

- Boa noite.

- Boa noite docinho

Tu,tu,tu,tu, tu.


*O melhor.. não tinha como deixar passar em branco. Quando terminei de escrever o pouco que eu conseguir lembrar, eu logo pensei em posta-lo. E cá estou eu... pena pq foi só um sonho :'(

"Um sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade"

14 de out. de 2010

Eu não sei.

Pra começar eu não sei um modo de ser amor só de segunda a sexta-feira, nem ao menos me acostumei a ter carinho com hora marcada como num sábado às 7:30 da noite com horário pra acabar. Eu sou essa
moça que anda descalça pelos corredores da faculdade e que não está nem aí pro povo de que me olha torto. Eu faço produção cultural e é isso.

Acho que fui bem na prova de antropologia que acabei de fazer, mesmo sem ter lido os textos auxiliares. Eu tenho esse dom de rebuscar as palavras, investir nos meus devaneios. Tenho o dom de inventar e não sei como achar a resposta certa. O que eu não sei é mentir direito. Não que isto seja uma virtude minha. Não, é falta de talento mesmo. Já tentei mentir inúmeras vezes e até hoje não aprendi qual cara a gente faz pra não se denunciar. Desisti com o tempo, acabei aprendendo que falar a verdade é o melhor caminho. Sustentar uma mentira me cansa muito, e sabe, eu não funciono quando estou cansada.

Fico sem comer, estressada, emagreço horrores. E mesmo assim tem dias que eu acordo me sentindo a pessoa mais gorda do mundo. Peso 52 kg mas tenho para mim que a balança tem dó e mente. Me sinto visualmente mais gorda que isto quase sempre, menos quando vou a praia e sinto a falta de atributos proeminentes na região dos glúteos. Só nessas horas eu fico magra. Mas tudo bem, só tenho estes complexos vezenquando. Eu até queria ser mais vaidosa só para gostar de pentear o cabelo. Se eu digo que eu não gosto agora é porque antes eu odiava. É que era trabalhoso quando ele estava na altura da cintura, sabe? Aí eu parei em frente a um salão desconhecido e disse " Corta aí, faz o que você quiser." Tá pequeno agora.

Primeiro eu ouvi que eu era muito louca mas depois as pessoas me elogiaram e perguntaram qual era o corte. Eu sei lá qual é o corte! Eu não gravo nem nome de filmes nem de atores, vou lá saber do corte? Mas misteriosamente sei de cor os títulos de todos os livros que eu li. É que tenho um acervo particular, é o meu vício. O que eu não gravo também são as letras de música que eu misturo e inverto ... e canto mal. Mas não tenho vergonha. Gosto da minha voz desafinada, as pessoas é que não gostam... mas o azar é delas.

Ultimamente as pessoas não tem sido muito boas, quero dizer, uma minoria insignificante não tem sido boa comigo. Duas pessoas pra ser sincera, saíram por aí inventando coisas a troco de nada. Mas isso não me prejudica porque eu tenho uma boa conduta e as pessoas sabem quem eu sou e não dão ouvidos para fofocas. Só interfere em mim no sentido de ... cara, que coisa nada a ver isso! O que leva um ser humano a este ponto?

Enfim, acredito muito na regrinha que diz " cada um colhe o que planta" e por isso não sou vingativa. Não sou do tipo de gente que ocupa o tempo guardando mágoas. Passo a maior parte do meu tempo cultivando o amor que tenho dentro do peito e me cercando de coisas boas. Eu fico tentando também demonstrar pra quem eu amo... mas neste quesito sou falha. Sou a pessoa mais sem jeito do mundo pra dizer as coisas e por isto prefiro escrever. E nem tudo que eu escrevo tem coerência até porque os meus sentimentos não tem. Sou inquieta, exagerada e sentimental. Acredito que isso dá pra perceber quando me leem. E se notarem alguma frase com palavras trocadas ou sem conectivos, preocupem se não vocês, que é normal no meu caso.

Pra ser sincera eu não gosto de escrever textos assim, mas ultimamente só tenho escrito desta forma. E está tudo desordenadamente bem. Falando nisso, a cozinha está uma desordem completa e acabo de lembrar que preciso organizar os arquivos do computador em pastas porque se eu não me engano misturei os assuntos dos seminários de Música e Teoria da arte. Misturei muita coisa ultimamente e acho que confundi tudo. O máximo que eu podia fazer agora pra resolver isso foi seria sentar em frente ao mar e ficar quietinha olhando, ai como eu queria, deitar na areia e dormi por horas.Tenho certeza que iria  saí de lá mais leve, ficar sem falar por algum tempo. Se eu pudesse eu seria igual ao mar, sabe? Saberia dizer as coisas sem precisar dizer nada.

Mas como eu ia dizendo, eu não sei ser amor de vez enquando nem com hora marcada e eu passei este texto inteiro maquinando uma forma de te dizer isto e não consegui.

8 de out. de 2010

Vai sem título mesmo.

Não sei. Posso mudar de ideia daqui alguns anos, ou meses, ou dias, não sei. Mas o que vivo agora é sempre uma certeza, afirmo. Depois, se mudar de idéia, me contradigo. Tenho sempre novas teorias, estou desenvolvendo, amadurecendo e pensando. É disso que o meu avô ri depois de escutar as minhas teses. E gosto do meu avô por inúmeros motivos, mas este é um dos principais: nunca me achou jovem demais pra nada. Diferente das outras pessoas muito mais novas que ele, que sempre me dizem que é coisa da idade, e que sou jovem demais, o meu avô sempre me escutou e levou em conta. Depois de escutar ele sempre sorri e me diz que é bom eu estar pensando. Não importa como, nem em quê, ele diz e me pergunta:

- Faz sentido?

- Faz vô, faz todo sentido pra mim.

- Então você deve acreditar.

E eu sei que devo. Sei sim. Já me disseram que eu penso saber muitas coisas, e pensar saber é ser "arrogantezinha", como diz meu pai. Mas eu não penso saber, eu penso. Só isso. E isto que importa, é o que penso agora e que pode não ser mais meu pensamento amanhã. Mas por enquanto ponho toda a fé do mundo, afinal, o que será da vida se a gente não acreditar?

Acreditar. Não parece uma palavra mágica? Pois pra mim não parece, é. Acredito enquanto faz sentido pra mim, sem nenhum medo de me arrepender e me contradizer mais tarde. A verdade é que não me contradigo, pois nunca sou a mesma, e logo, aquela pessoa que lhe afirmou algo há um ano ou um dia atrás não é a mesma que sou, assim como a minha opinião não é. Minhas idéias correspondem ao que sou, e eu sou o agora, sou o futuro, mas nunca o passado. Não sei, não consigo me imaginar no mesmo corpo e nas mesmas palavras de antes, já fui muitas, mas no presente sempre sou só uma.

Posso ser várias no futuro. Sou infinita. (E vejo nisso um fascínio.) Infinito, no sentido banal e literal da palavra quer dizer não ter fim. Mas, no sentido mágico de quem acredita, além de não ter fim, ser infinito significa muitas coisas mais. Ser infinito, no meu caso, é estar completo e querer ainda mais, desejar. O que me move é o desejo, pois tenho dentro de mim uma inquietude. Não consigo me acomodar, me conformar, empurrar com a barriga, manter, estabilizar. Não sou estável, nenhum pouquinho ( e isto não é bom, muitas vezes), mudo sempre desde o cabelo até a raízes que estão fincadas em mim. Aliás, quase não tenho raízes a não ser aquelas mais profundas, que não se desprendem nem querendo.

Minha crença é enraizada no evangelio, cresci indo à igreja, ainda assim, não foi o suficiente. Não me bastou, não poupou a minha mãe do susto de quando ela me ouviu dizer que acho as religiões africanas o máximo, e que acho que em todas as religiões, mesmo sendo tão diferentes, há um fundo igual ou muito parecido. A diferença para mim está em acreditar. Escolha alguma em qual seja mais natural acreditar, ou não escolha, apenas acredite em algo, em alguém, em você mesmo. Tanto faz.

Acreditar e desejar. São as palavras que movem o mundo. O mundo é feito de desejo e crença, o resto é apenas consequência. Repito: O mundo é conjugado pelo desejo e pela crença, o resto são verbos derivados. Afirmo, sem medo de afimar, pois quem tem medo não acredita. E eu confio no que digo (pois confiar, de acordo com a minha gramática é verbo derivado de acreditar.) Mas na verdade, não sou convicta, isto é outra coisa, porque posso mudar. Quero mudar. Desejo e amo o novo.

E também o amor é apenas uma resultante do desejo, que vem primeiro e que nada mais é do que um fio desencapado à espera de algum impulso de energia que entre em curto-circuito. Acredito em energia, nas forças do universo que regem o mundo, no equilíbrio espiritual e mental, na força do pensamento e do desejo, mais uma vez, acredito na potencialidade do desejo. Tive ainda poucos amores, ou talvez nenhum, como sabê-lo? Não sei, mas desejo tê-los, vários, diversas vezes, em muitas ou em uma pessoa só. Não importa, pois, como citei ali em cima me dando como exemplo: as pessoas nunca são as mesmas, e acho que este é o único motivo que me faria permanecer com um alguém.

Até mesmo o amor, eu opino, precisa ser reformulado, inovado, abalado, ou sei lá, as pessoas precisam crescer, amadurecer, experimentar, desejar, errar e mudar, como eu já disse em diversos outros textos: " A minha vida é feita de recomeços." E de tudo o que me sobra destas reviravoltas todas não há muita coisa além do que muitas idéias na cabeça e muito desejo/amor no peito, acho que quase nada mais. E, penso eu neste instante, que este quase nada é que deve ser o infinito. Como assim? Posso explicar-lhe agora: No nada cabe muito mais coisa do que se possa imaginar, é justamente onde nada foi formulado, estabelecido, moldado, ou ocupado. É somente no vazio que cabe o infinito.

Portanto já não posso afirmar que sou isso ou aquilo. Simplesmente não sou. Não sou nada, eu acredito, é só isso. Não estou fadada a ser. Pois ser, para mim, é quase uma sentença ou um castigo. Pensar é mais importante.

3 de out. de 2010

Isso tudo?


Perdi completamente a vontade de escrever aqui. Em apenas 2 meses que coloquei novamente o contador
Mas de 1.300 visitas.
Agradeço de coração todas as visitas e comentários,peço desculpas aos meus 5 seguidores por não retribuir a visita e aos comentários. Confesso que a maioria dos que comentam eu não sei quem são, não faço nem ideia de como encontraram meu blog. Agradeço á vocês também... Agradeço a quem vem aqui por gostar de mim ou do que eu escrevo, mas é broxante saber que muitas dessas visitas não foram de corações bons. Pessoas maldosas que insistem em passar aqui todo santo dia pra ter a certeza se eu estou triste ou que alguma coisa ruim vem acontecendo.
De vocês, caros infelizes, eu tenho pena. Tenho pena pelo tempo gasto em desejar o mal de alguém, pela inveja ou por sua vida ser tão mesquinha. Eu não fiz esse blog pra mostrar que sei escrever bem, não tenho objetivo nenhum com o que eu escrevo, escrevo por que amo escrever, não sou a rainha do blog... e você que perde seu tempo favoritando o endereço desse blog, pra todos os dias procurar um alimento pra sua inconformação, eu sinto em lhe informar que acabou.

Não estou mais triste, não me iludo mais com intrigas que talvez você mesma tenha tentado arquitetar, não me importo mais com o mal que as pessoas me desejam e sabe por que? Porque eu aprendi que eu sou forte demais pra escutar e viver coisas que eu nunca imaginei, e não vai ser meia dúzia de recalcadas que vão me colocar pra baixo. Demorei muito pra escrever isso, mas eu sei que se eu parar de postar algumas pessoas sentiram falta de mim por aqui, pessoas que realmente se importam comigo, me senti na obrigação de dar uma pequena explicação do porquê desse desânimo.

Tenho vivido minha vida mais pra dentro, mais comigo e guardado as coisas boas ( que são lindas além de boas ) só pra mim e pra quem eu amo.

Eu estou feliz apesar de tudo, os meus últimos dias tem sido  lindo, perfeito! As amizades que tenho feito por aqui tem me deixado muito feliz e satisfeita. Se pudesse não voltaria tão cedo pro Brasil... Mas sei que existem pessoas que me amam de verdade e que sentem minha falta. Não ligo mas para as ofensas recebidas no formspring, na caixa da verdade... enfim! E o que era capaz de me derrubar, não derrubou. Aqui estou, de pé, mais forte que nunca! Amando ainda mais...

Obrigada, e desculpa a quem não precisava ler esse tipo de coisa.

1 de out. de 2010

Esvaziei

Eu escrevo, depois apago. Escrevo mais um pouco, depois apago. Os sentimentos mudam tanto durante as 24 horas do dia, tanta coisa sai do lugar, a gente tropeça porque não arrumou a bagunça e quando tudo começa a voltar pro lugar, você então percebe que muita coisa tá quebrada. É hora de jogar fora. Esvaziar a cabeça pra enxergar direito. Todos esses dias eu estranhei a minha frieza, minha dificuldade em chorar, e hoje eu esvaziei, chorei tudo, chorei por cada dorzinha e palavras. E agora eu pergunto, o que restou ? Que sentimento é esse?
E as pessoas continuam querendo o mal das outras, continuam não se satisfazendo com as próprias vidas, ainda existe aquela necessidade em ser o juiz da verdade, jogam no vento mil coisas, sem pensar nas consequências que isso teria pra vida de uma outra pessoa, e querem saber? O vento não cessa, ela dá a volta.
Mas agora só existe uma certeza, sou um túmulo. Passar bem

30 de set. de 2010

Meu ciúme

@créditos á Bianca/ foto 2009



Estou com aquela sensação estranha de ter mergulhado a ponta do dedo num copo de passado e enfiado na boca rápido, descobrindo numa lambida só que algumas coisas quando amargam não voltam a ser doce depois de um período de abstinência. Tentei me levantar e ir ate a cozinha para tomar um copo d'agua,a tela do computador ficou um pouco torta de uma hora pra outra e meu equilíbrio que andava tão em dia comigo resolveu falhar.

Esse é o problema de gostar das pessoas. Pessoas fodem sua vida, partem seu coração, comem outras pessoas quando deviam estar só comendo você. Pessoas têm passados de histórias de amor que não foram com você e, no fundo, a gente sempre sabe que a gente também tem o nosso e faz parte do passado comprometedor de alguém. E pior, até onde vale à pena lutar com garras afiadas contra o passado de quem a gente ama, ou esconder com todos os recursos de privacidade o que já aconteceu na nossa própria vida?
O problema do meu ciúme é que ele é tão grande que acaba ficando sem foco.

 Meu ciúme não tem nome porque eu consigo dar variados nomes à ele todos os dias, em todas as suas ações eu consigo achar alguém que está ali, bem escondidinho no canto do seu cérebro que administra todas as lembranças que foram feitas antes de eu chegar. Meu ciúme é tão imbecil, que eu às vezes penso que se eu abandonar você eu posso finalmente me tornar uma lembrança grossa que também caber (e ainda roubar o lugar de algumas pessoas) nessa parcela de massa incefálica que eu ainda não posso entrar.

Se eu fosse passado e não presente, seria eu que ia importunar, não quem estaria sendo importunada.
Daí eu fico inspecionando meu passado de perto todos os dias atrás da moita, que é pra eu me lembrar que eu também tenho um e que, se você resolvesse futucar aqui e ali o tempo todo, você também sentiria ciúme de mim. Mas aí me vem sempre aquela outra pergunta: será que você não sente também? Ou será que só sou eu mesmo que sou a louca e não entendo... eu sei que esse meu ciúme bobo não resolve nada, ou se acredita no que se "tem" ou se vai embora e pronto?!

E você, amor, você que deve ficar ai confuso também tentando imaginar o que se passa aqui nessa cabeçinha tão ingenua. Enquanto os outros guardam de mim memórias pequenas, você me reconhece nos meus gestos mais comuns e me enfrenta no meio dos meus devaneios, no meio dos meus ataques de morte, das minhas tentativas de guerra contra todos os demônios que habitam minha cabeça porque ela é sempre cheia de tantas coisas, funcionando muito mais rápido e atribuladamente do que a das pessoas normais.

Eu tenho tanto medo de um dia uma mulher normal, com cabelo liso,grande ( porque eu sei que você gosta), roupas iguais às de todo mundo e senso de humor medíocre te leve de mim. Porque essas pessoas que são só pessoas – realmente iguais à seus iguais – são normalmente mais fáceis de se conviver.

Porque eu sei que você acha a minha loucura bonita e até meio poética, mas eu sei também que você já achou tudo isso muito mais lírico do que acha hoje e que, um dia, pode de verdade cansar de tanto surto.
Na nossa guerra diária de passados, de outros amores, de decisões, de foco, de fica, de fode, de fato, não é a vontade de ganhar de você que me move, mas sim o medo de te perder. A qualquer hora sem aviso, para qualquer uma dessas coisas.

Meu ciúme é tanto que eu acabo olhando muito para o meu passado. E eu sei que sou louca – você as vezes já deixou escapar que sou bobinha e eu também tenho consciência – , mas se eu encontrasse o tão falado gênio da lâmpada hoje, o pedido seria simples e sim, insano: um mundo sem passado, pra mim e pra você.