" Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais -por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia –qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.Eu prefiro viver a ilusão do quase, quando estou "quase" certa que desistindo naquele momento vou levar comigo uma coisa bonita. Quando eu "quase" tenho certeza que insistir naquilo vai me fazer sofrer, que insistir em algo ou alguém pode não terminar da melhor maneira, que pode não ser do jeito que eu queria que fosse, eu jogo tudo pro alto, sem arrependimentos futuros! Eu prefiro viver com a incerteza de poder ter dado certo, que com a certeza de ter acabado em dor. Talvez loucura, medo, eu diria covardia, loucura quem sabe! "
Caio Fernando Abreu
Desculpe a falta por aqui, mas o tempo anda corrido.Mas uma vez obrigado pelos comentários, visitas e novos seguidores :) Prometo voltar em breve. Um grande beijo.
14 de fev. de 2011
8 de fev. de 2011
Sou ponto de interrogação
Posso dizer que talvez eu não esteja muito bem pra escrever claramente hoje, também não vou dizer que eu estou triste. Triste não, triste só amanha, tudo bem? Mas vou dizer que eu não tenho mais força pra carregar isso tudo,não tenho ombros pra suportar as minhas carências. Não lembro onde nem quando, mas certa frase uma vez me chamou a atenção, era mais ou menos assim: " Se não podemos dar conta da nossa infelicidade, quem dirá a de um outro ". Fato consumado. Quando você tem a clara certeza de que aquilo não está trazendo paz e felicidade, se aquilo passou do limite, onde a hipocrisia é terceira pessoa da situação, nada mais pode ser feito. Talvez possa... talvez alguém enxergue, um dia quem sabe?! talvez... talvez contratos sem fundamentos sejam quebrados e assim sapos sejam engolidos, mas hipocrisia não. Não aceito que me cobrem o que eu mesma não recebo em troca, não aceito! Quem quer ter o direito de fazer, dá ao outro o mesmo! Sendo o contrário, é uma quebra de contrato, não é? E se fosse ao contrário? A mesma atitude seria tomada, não duvido muito. A gente vive aprendendo, e talvez eu tenha aprendido que a gente tem mesmo que abrir espaço, mesmo não querendo. E é isso que eu estou fazendo... abrindo espaço pra que a outra pessoa se encontre. Mesmo a gente gostanto muito dessa pessoa, mesmo querendo muito está com ela... eu não quero uma pessoa incompleta pra mim.
Se eu pudesse voltar no tempo, não teria dito uma única palavra,não teria contado pra você os meus sentimentos... e sim, teria omitido e disfarçado. Mas eu não sei fingir o que eu não sinto... mas ainda assim preferi não falar mas, não procurar. Deixar como estar.... e o não " falar " nos fez chegar aqui. Ta aí o resultado... hoje eu não sei acreditar em mas nada que foi dito, afinal você promete uma coisa e acaba fazendo outra. Posso estar sendo muito dramática, afinal, você não foi desleal... Eu sempre soube como você é. E assim como você tem seu jeito eu tenho o meu. Mas por algum motivo eu fico imaginando coisas, pensando no que mais pode estar guardado dentro de você, e eu queria mesmo poder colocar tudo sobre a mesa e ir apagando cada detalhe não dito, cada dia não mencionado... mas o tempo não nos permite mais tal privilégio. Cada dia que passa é um pedacinho da nossa essência que morre, é uma dorzinha a mais que se instala em algum lugar dentro de mim, mas eu sei que passa... sempre passa, mas na minha balança essas pequenas coisas pesam, pesam bastante. Porque eu sei muito bem que não posso lhe cobrar nada, o motivo nóis sabemos... e a dúvida me faz sentir uma insegurança que machuca, prefiro não depender mas dessas verdades. Das suas verdades. Não quero depender de mas nada.
Não quero ser hipócrita, eu também erro muito, e de certa forma me arrependo, mas eu não posso evitar esse sentimento... ciúme, raiva, medo? sei lá... dói. Essa é a única certeza que eu tenho nesse exato momento.
Se eu pudesse voltar no tempo, não teria dito uma única palavra,não teria contado pra você os meus sentimentos... e sim, teria omitido e disfarçado. Mas eu não sei fingir o que eu não sinto... mas ainda assim preferi não falar mas, não procurar. Deixar como estar.... e o não " falar " nos fez chegar aqui. Ta aí o resultado... hoje eu não sei acreditar em mas nada que foi dito, afinal você promete uma coisa e acaba fazendo outra. Posso estar sendo muito dramática, afinal, você não foi desleal... Eu sempre soube como você é. E assim como você tem seu jeito eu tenho o meu. Mas por algum motivo eu fico imaginando coisas, pensando no que mais pode estar guardado dentro de você, e eu queria mesmo poder colocar tudo sobre a mesa e ir apagando cada detalhe não dito, cada dia não mencionado... mas o tempo não nos permite mais tal privilégio. Cada dia que passa é um pedacinho da nossa essência que morre, é uma dorzinha a mais que se instala em algum lugar dentro de mim, mas eu sei que passa... sempre passa, mas na minha balança essas pequenas coisas pesam, pesam bastante. Porque eu sei muito bem que não posso lhe cobrar nada, o motivo nóis sabemos... e a dúvida me faz sentir uma insegurança que machuca, prefiro não depender mas dessas verdades. Das suas verdades. Não quero depender de mas nada.
Não quero ser hipócrita, eu também erro muito, e de certa forma me arrependo, mas eu não posso evitar esse sentimento... ciúme, raiva, medo? sei lá... dói. Essa é a única certeza que eu tenho nesse exato momento.
" Que faço distraindo a vida
vou traindo a minha sina
Distraindo a minha decisão
Falo coisas que ás vezes não faço
Sou boneca, sou palhaço, sou ponto de interrogação... "
3 de fev. de 2011
Falando sério
Uma pessoa uma vez me disse que eu era fútil demais só pq eu gostava de me maquiar, vestir roupas legais e apreciava elogios de homens.
Outra pessoa uma vez me disse que eu dava mole demais pros meus amigos e que todos me chamavam de puta pelas costas.
A que eu mais gostava, uma vez disse que tudo o que eu fazia e dizia tinha algum tipo de segunda intenção. Me senti uma vilã de filme quando ouvi isso, parecia que tudo era um grande plano. Disse também que eu estava sempre querendo ser melhor que os outros...
Essa foi a melhor, ela disse que eu tinha inveja de tudo, que queria o namorado dela e principalmente que eu queria iludir todos os homens do mundo pra me sentir.
Teve a que disse que eu era uma péssima amiga, e com essa eu concordo de todo a minha alma.
Meu próprio namorado ainda fica atrás de mim enquanto estou no computador tentando ler qualquer coisa que ele possa achar estranho ou sei lá o que. Não sou digna de confiança, e não sou mesmo, se eu fosse ele faria o mesmo. eu já fiz o mesmo.
Talvez todas essas pessoas tenham razão. talvez eu goste mesmo de ver os homens babando por mim, e goste de ganhar elogios. Talvez eu seja fútil o suficiente pra querer mais de cinquenta sapatos no meu armário e 50 calças de marca. E eu posso mesmo as vezes querer ser melhor que os outros pra não me sentir mal. No fundo, bem no fundo, eu podia querer o namorado dela, mas eu não fiquei com ele como ela pensava. Depois eu fiquei, mas por vingança. Sim, eu sou uma péssima amiga, e eu tenho mil motivos pra isso. O primeiro e mais importante é não saber cuidar das pessoas que eu gosto. eu não guardo momentos importantes na cabeça, eu não sei a data de aniversário deles e eu acho que eu nem fui no aniversário deles algumas vezes. Eu já marquei mil coisas e não fui, já falei que ia ligar e não liguei. Eu já dormi e deixei alguém me esperando por não ter coragem de ligar pra desmarcar. Eu já traí pessoas.
Realmente, vocês tem razão quando dizem que eu sou isso tudo. mas antes de falarem qualquer coisa sobre mim, eu espero que vocês estejam por dentro de todos os seus defeitos. todos os seus podres, assim como eu tenho noção de todos os meus.
Priscila Andrioni
Outra pessoa uma vez me disse que eu dava mole demais pros meus amigos e que todos me chamavam de puta pelas costas.
A que eu mais gostava, uma vez disse que tudo o que eu fazia e dizia tinha algum tipo de segunda intenção. Me senti uma vilã de filme quando ouvi isso, parecia que tudo era um grande plano. Disse também que eu estava sempre querendo ser melhor que os outros...
Essa foi a melhor, ela disse que eu tinha inveja de tudo, que queria o namorado dela e principalmente que eu queria iludir todos os homens do mundo pra me sentir.
Teve a que disse que eu era uma péssima amiga, e com essa eu concordo de todo a minha alma.
Meu próprio namorado ainda fica atrás de mim enquanto estou no computador tentando ler qualquer coisa que ele possa achar estranho ou sei lá o que. Não sou digna de confiança, e não sou mesmo, se eu fosse ele faria o mesmo. eu já fiz o mesmo.
Talvez todas essas pessoas tenham razão. talvez eu goste mesmo de ver os homens babando por mim, e goste de ganhar elogios. Talvez eu seja fútil o suficiente pra querer mais de cinquenta sapatos no meu armário e 50 calças de marca. E eu posso mesmo as vezes querer ser melhor que os outros pra não me sentir mal. No fundo, bem no fundo, eu podia querer o namorado dela, mas eu não fiquei com ele como ela pensava. Depois eu fiquei, mas por vingança. Sim, eu sou uma péssima amiga, e eu tenho mil motivos pra isso. O primeiro e mais importante é não saber cuidar das pessoas que eu gosto. eu não guardo momentos importantes na cabeça, eu não sei a data de aniversário deles e eu acho que eu nem fui no aniversário deles algumas vezes. Eu já marquei mil coisas e não fui, já falei que ia ligar e não liguei. Eu já dormi e deixei alguém me esperando por não ter coragem de ligar pra desmarcar. Eu já traí pessoas.
Realmente, vocês tem razão quando dizem que eu sou isso tudo. mas antes de falarem qualquer coisa sobre mim, eu espero que vocês estejam por dentro de todos os seus defeitos. todos os seus podres, assim como eu tenho noção de todos os meus.
Priscila Andrioni
31 de jan. de 2011
Não sei como explicar. Na verdade cansei de ficar contando as minhas histórias e explicando-as. Simplesmente não vou mais falar. Não achei meus motivos bons. E procurar motivos tem me levado a exaustão. Não procuro mais, faz tempo que eu mudei.
E mudar não é confortável pra ninguém, se você quer saber.
Ainda mais se a mudança é involuntária. Dói igual os ossos dos joelhos doem quando a gente tá crescendo. Depois sara, mas eu ainda não experimentei a sensação. De todo o modo não é tão ruim assim ... mudar também é bom em alguns sentidos.
Perdi aquela vontade toda de gritar e fazer com que me escutem. Eu aprendi a guardar melhor as coisas e ainda não encontrei a hora certa pra dizer nada. Olha, eu até queria te dizer algumas coisas às vezes, até porque não acredito nessa coisa de hora certa. Acredito que as coisas precisam ser faladas quando são merecidas, independente se ainda é cedo ou tarde. Pra começar não deveria existir cedo ou tarde, para mim as coisas deveriam ser infinitas até acabarem. Precisa-se esquecer o futuro e o passado, então vivemos.Viver o instante não é tão simples quanto parece, é uma total entrega e por ser entrega é um tanto sofrido. Entregar-se é sempre um tanto sofrido para mim. Fica aquele frio na barriga, uma desconfiança que muito quer deixar de ser desconfiança e confiar.
Então com muito custo eu consigo suspender aquele pé que estava preso atrás de mim e só assim caminhamos juntos. Bom, eu não sei definir "juntos" e acho que não tem definição mesmo. Não me resta mais especificação para nada, estou desaprendendo a definir.
A única coisa que me sobra nisso tudo é esse medo, mas é um medo bom. Se me faz bem eu não sei, mas eu gosto de senti-lo me apertando por dentro e me fazendo pensar às vezes que isto vai me consumir.Mentira. Eu sei que não vai, mas é que tem horas que eu pareço desmontar inteira por dentro por não me sentir segura. Você não me deixa segura não sei porquê e por isso mesmo eu não quero estar segura de nada nunca mais. Não quero as certezas da vida que as tornam monótona. É terrível mas eu gostei de estar sempre perto do abismo e saber que eu posso despencar de lá de cima. Ou não. E mesmo diante esta uma ameaça por vezes me esqueço do perigo. Esqueço de tudo. Esqueço até do que eu queria ter dito, nessa confusão imensa que é escolher entre me expressar ou sentir. Na dúvida tenho preferido sentir.
Sinto quietinha, de mansinho, as minhas coisas boas. Não sei também se devo dividi-las com você, afinal é o segredo que mais gosto de manter dentro de mim ... é que tenho medo de quando não for mais segredo perca a graça, ou que se perca de mim e se espalhe pelo mundo que nem sempre é tão bom. Deixa assim, me fazendo pensar que me consumirá um pouco, me fazendo ter medo da queda livre e me confundindo. Gosto que seja assim, gosto de não saber o que esperar. Não quero esperar nada, não sinto mais tanta necessidade do futuro. Vendo você fazer aprendi que sorrir sozinha em silêncio no escuro é tão bom.
E mudar não é confortável pra ninguém, se você quer saber.
Ainda mais se a mudança é involuntária. Dói igual os ossos dos joelhos doem quando a gente tá crescendo. Depois sara, mas eu ainda não experimentei a sensação. De todo o modo não é tão ruim assim ... mudar também é bom em alguns sentidos.
Perdi aquela vontade toda de gritar e fazer com que me escutem. Eu aprendi a guardar melhor as coisas e ainda não encontrei a hora certa pra dizer nada. Olha, eu até queria te dizer algumas coisas às vezes, até porque não acredito nessa coisa de hora certa. Acredito que as coisas precisam ser faladas quando são merecidas, independente se ainda é cedo ou tarde. Pra começar não deveria existir cedo ou tarde, para mim as coisas deveriam ser infinitas até acabarem. Precisa-se esquecer o futuro e o passado, então vivemos.Viver o instante não é tão simples quanto parece, é uma total entrega e por ser entrega é um tanto sofrido. Entregar-se é sempre um tanto sofrido para mim. Fica aquele frio na barriga, uma desconfiança que muito quer deixar de ser desconfiança e confiar.
Então com muito custo eu consigo suspender aquele pé que estava preso atrás de mim e só assim caminhamos juntos. Bom, eu não sei definir "juntos" e acho que não tem definição mesmo. Não me resta mais especificação para nada, estou desaprendendo a definir.
A única coisa que me sobra nisso tudo é esse medo, mas é um medo bom. Se me faz bem eu não sei, mas eu gosto de senti-lo me apertando por dentro e me fazendo pensar às vezes que isto vai me consumir.Mentira. Eu sei que não vai, mas é que tem horas que eu pareço desmontar inteira por dentro por não me sentir segura. Você não me deixa segura não sei porquê e por isso mesmo eu não quero estar segura de nada nunca mais. Não quero as certezas da vida que as tornam monótona. É terrível mas eu gostei de estar sempre perto do abismo e saber que eu posso despencar de lá de cima. Ou não. E mesmo diante esta uma ameaça por vezes me esqueço do perigo. Esqueço de tudo. Esqueço até do que eu queria ter dito, nessa confusão imensa que é escolher entre me expressar ou sentir. Na dúvida tenho preferido sentir.
Sinto quietinha, de mansinho, as minhas coisas boas. Não sei também se devo dividi-las com você, afinal é o segredo que mais gosto de manter dentro de mim ... é que tenho medo de quando não for mais segredo perca a graça, ou que se perca de mim e se espalhe pelo mundo que nem sempre é tão bom. Deixa assim, me fazendo pensar que me consumirá um pouco, me fazendo ter medo da queda livre e me confundindo. Gosto que seja assim, gosto de não saber o que esperar. Não quero esperar nada, não sinto mais tanta necessidade do futuro. Vendo você fazer aprendi que sorrir sozinha em silêncio no escuro é tão bom.
28 de jan. de 2011
Queria...
Queria ter um monte de coisas bonitas a dizer. E que com este texto eu pudesse fazer nascer uma flor no peito de alguém. Queria que a minha verdade transformasse. Que você aí que está um pouco triste com suas próprias descrenças que já começam a apodrecer e incomodar com o cheiro, me lesse e sorrisse ao ver que ainda existe alguém. Queria que existissem ainda várias pessoas. E que elas, ao lerem o meu texto (que teria cor de fim de tarde e cheiro de girassóis) entrassem em contato comigo antes que o céu começasse a enegrecer e ficasse tarde demais. Só mesmo para me dizerem que ainda existem também. Ou melhor, que ainda resistem e não sucumbiram a toda mentira que - ao que parece - enfeita o que é bonito, tornando tudo um pouco repetitivo, clichê e tedioso.
25 de jan. de 2011
Muitas de muitas
Hoje resolvir parar um pouco para limpar a poeira de caixas antigas. Sei lá quantos meses faziam desde a última vez que resolvi fazer isto. E apesar de conhecer muito bem o conteúdo de todas aquelas caixas, a graça de ter caixas antigas sendo empoeiradas pelo descaso dentro do armário é que elas sempre nos reservam uma surpresa quando resolvemos reabrí-las. Como se nunca houvéssemos sabido o que nos aguardava ali. Pois bem, se alguém quiser saber o que eu guardo naquelas caixas digo sem rodeios: a minha vida inteira.
Primeiro abri uma caixa desorganizada com fotos aleatórias, cheia de épocas, cheia de cidades diferentes, cheia de rostos, e de mim também. Fiquei um tempo rindo com as fotos. Meu pai me segurando no colo, meu avô quando ainda não tinha cabelos brancos, uma velha amiga, a bisa Elisa indo colher milho comigo, minha mãe pré-adolescente se maqueando com as minhas tias igualmente jovens, a falecida cadela da vovó que me mordeu o dedo uma vez, uma foto da minha prima escrito "eu te amo,volta logo" no verso, com os amigos na festa de 15 anos, eu andando pelo bairro de calcinha no velocípede, pela primeira vez indo à escola, chorando com medo de cortar as unhas, estufando a barriga para imitar a minha mãe grávida nas fotos, andando a cavalo, crescendo, segurando meus primos no colo, mudando, vi também mais pessoas, muita saudade, viagens, amigos, uma foto da minha formatura, da milenar cadeira de dentista que ficava na casa da bisa Vitória e que me fazia tremer de medo, do casamento dos meus pais, de todos os lugares,cidades e estados que ja morei e mais incontáveis outras.
Depois foi a vez da caixa dos objetos que não me tomou tanto assim o tempo. Caixa esta que preservava apenas uma pulseira na qual estava escrito "amigas para sempre" , uma folha de árvore mofada que minha mãe insistia em querer jogar fora e eu insistindo em dizer não, um lazer que não funciona mais, uma boneca de porcelana trazida da Itália, moedas portuguesas, antigas moedas brasileiras e uma concha.
Passada a segunda caixa, fui para a terceira e a quarta de uma só vez abrindo-as simultâneamente. A maior guardava as cartas que eu recebi e a mais compacta os rascunhos das cartas que eu escrevi um dia. Talvez tenham sido as caixas com que eu tenha gasto mais tempo. Li quase todas as cartas, ri com a maioria delas e chorei também com algumas outras. Senti muitas saudades de muitas.
E se você me perguntar como assim "muitas saudades de muita" ? Respondo. De muita, oras! Mas é de tanta que eu nem sei explicar que coisas. E nem tudo são coisas também. Às vezes são só cheiros, às vezes eram só saudades do que eu estava sentindo naquele momento do passado, de bichos que eu tive, às vezes era saudade de gente também e outras de coisas que nem existiram.
Quanta coisa a gente passa, quanta gente faz parte da gente e a gente nem percebe. Quantas pessoas nos deixam, quantos pedaços da gente ficam parecendo faltar no peito, quanta dor a gente carrega. Mas que depois passam também, como tudo. E quantos pedaços nossos não estão aí espalhados pelo mundo, e a gente quase nem sabe. Quase nem percebe. Nem sei porquê, mas lembrei de uma menina que eu gostava tanto e que era tão recíproca comigo sem motivo. Achei na caixa um bilhete que me dera uma vez sem ter porquê. E não precisávamos de motivos, ela me sorria sempre que me encontrava e eu sorria também com o meu coração inteiro. E isto era o grande mistério. Eu bem que sabia que a gente se gostava, sei que ela também sabia, mas nunca trocamos muitas palavras. Ah, mas eu sinto tanta saudade de sorrir assim daquele jeito que era o meu segredo e o dela. Nunca mais a encontrei. Por onde será que anda? Será que ela tem tido motivos pra sorrir? Não tem como eu saber, a vida anda e a gente vai perdendo e vai ganhando também. Ia esquecendo de contar, com os sorrisos que ganhei aprendi a sorrir mais com ela. Acho que um dia eu consigo aprender como se sorri direito (igual a ela) de tanto praticar. Quem sabe. Fiquei então sentindo muitas saudades de muitas.
Primeiro abri uma caixa desorganizada com fotos aleatórias, cheia de épocas, cheia de cidades diferentes, cheia de rostos, e de mim também. Fiquei um tempo rindo com as fotos. Meu pai me segurando no colo, meu avô quando ainda não tinha cabelos brancos, uma velha amiga, a bisa Elisa indo colher milho comigo, minha mãe pré-adolescente se maqueando com as minhas tias igualmente jovens, a falecida cadela da vovó que me mordeu o dedo uma vez, uma foto da minha prima escrito "eu te amo,volta logo" no verso, com os amigos na festa de 15 anos, eu andando pelo bairro de calcinha no velocípede, pela primeira vez indo à escola, chorando com medo de cortar as unhas, estufando a barriga para imitar a minha mãe grávida nas fotos, andando a cavalo, crescendo, segurando meus primos no colo, mudando, vi também mais pessoas, muita saudade, viagens, amigos, uma foto da minha formatura, da milenar cadeira de dentista que ficava na casa da bisa Vitória e que me fazia tremer de medo, do casamento dos meus pais, de todos os lugares,cidades e estados que ja morei e mais incontáveis outras.
Depois foi a vez da caixa dos objetos que não me tomou tanto assim o tempo. Caixa esta que preservava apenas uma pulseira na qual estava escrito "amigas para sempre" , uma folha de árvore mofada que minha mãe insistia em querer jogar fora e eu insistindo em dizer não, um lazer que não funciona mais, uma boneca de porcelana trazida da Itália, moedas portuguesas, antigas moedas brasileiras e uma concha.
Passada a segunda caixa, fui para a terceira e a quarta de uma só vez abrindo-as simultâneamente. A maior guardava as cartas que eu recebi e a mais compacta os rascunhos das cartas que eu escrevi um dia. Talvez tenham sido as caixas com que eu tenha gasto mais tempo. Li quase todas as cartas, ri com a maioria delas e chorei também com algumas outras. Senti muitas saudades de muitas.
E se você me perguntar como assim "muitas saudades de muita" ? Respondo. De muita, oras! Mas é de tanta que eu nem sei explicar que coisas. E nem tudo são coisas também. Às vezes são só cheiros, às vezes eram só saudades do que eu estava sentindo naquele momento do passado, de bichos que eu tive, às vezes era saudade de gente também e outras de coisas que nem existiram.
Quanta coisa a gente passa, quanta gente faz parte da gente e a gente nem percebe. Quantas pessoas nos deixam, quantos pedaços da gente ficam parecendo faltar no peito, quanta dor a gente carrega. Mas que depois passam também, como tudo. E quantos pedaços nossos não estão aí espalhados pelo mundo, e a gente quase nem sabe. Quase nem percebe. Nem sei porquê, mas lembrei de uma menina que eu gostava tanto e que era tão recíproca comigo sem motivo. Achei na caixa um bilhete que me dera uma vez sem ter porquê. E não precisávamos de motivos, ela me sorria sempre que me encontrava e eu sorria também com o meu coração inteiro. E isto era o grande mistério. Eu bem que sabia que a gente se gostava, sei que ela também sabia, mas nunca trocamos muitas palavras. Ah, mas eu sinto tanta saudade de sorrir assim daquele jeito que era o meu segredo e o dela. Nunca mais a encontrei. Por onde será que anda? Será que ela tem tido motivos pra sorrir? Não tem como eu saber, a vida anda e a gente vai perdendo e vai ganhando também. Ia esquecendo de contar, com os sorrisos que ganhei aprendi a sorrir mais com ela. Acho que um dia eu consigo aprender como se sorri direito (igual a ela) de tanto praticar. Quem sabe. Fiquei então sentindo muitas saudades de muitas.
19 de jan. de 2011
Aos 30?
" Aos 30 anos você vai aceitar." E estremeci ao terminar de ouvir esta frase, pelo fato de ser praga rogada por mãe. Conversávamos sei lá sobre quantas coisas, mas considerem que em muitas delas haviam homens envolvidos. E, levem também em conta e incluam nesta conversa todas as falácias sobre namoros, relacionamentos e casamentos a palavra que em nenhuma hipótese deve ser pronunciada.
Brincadeiras à parte, enquanto estendíamos as roupas no varal, aquela que me deu origem me olhava com olhos irônicos enquanto ria das minhas explicações sobre dar fim a relacionamentos por motivos (óbvios) de não abrir mão da individualidade, de não aceitar grosserias, ordens, ou pedidos invasivos.
- " Sim mãe, para mim este é o ápice. Depois disso só há o declíneo. E se ninguém frear vai até cair. Eu dou fim mesmo antes de acabar. Talvez seja covarde da minha parte, mas é que não suporto ficar esperando para ver tudo ser espatifado, destruído e estraçalhado."
E ela me sorria como se já houvesse ouvido tal rebeldia juvenil nos seus próprios pensamentos e soubesse quão falhas eram estas teorias. Mas oras! Eu não era uma jovenzinha rebelde! Ou era? Ah, é que acho normalíssimas as minhas teorias e aliás, além de normais, muito saudáveis. Pois não entendo por quais motivos alguém necessitaria ou deveria sustentar algo que não é ... bom.
O que leva um ser humano a alterar o seu próprio sobrenome para ser posse de outra família? Posse. É o que me parece essa coisa de nome de marido no final. E, não que isso resuma tudo, afinal este nem é o verdadeiro problema, que seja um casamento por amor verdadeiro e bonito, enfim, para quê mantê-lo carregado nas costas a partir do ponto que não é mais leve?
Sei que existem muitas coisas envolvidas mas, o que seria mais importante do que a felicidade? Tudo bem, talvez filhos mas ... mas ... mas. Ah, esta coisa toda! Deve haver alguma solução prática. Não é possível...
-" Eu já fui assim também." - Ela interrompe meus pensamentos sussurrando, e eu lhe pergunto - "Me diz então, por que as pessoas com o tempo desistem de ser quem elas eram?" - Ela sorri um sorriso de pena, que talvez fosse por compaixão à minha ingenuidade -" As pessoas não desistem com o tempo, Priscila. Elas mudam."
Claro, não pude mais argumentar diante disto. E, com medo, comecei a pensar em quem eu seria aos 30. Senti um calafrio quando pensei nas possíveis coisas que poderiam mudar meu pensamento. Mais maturidade, talvez? Ou quem sabe eu passaria por experiências tão traumáticas que mexeriam comigo? E se eu me conformasse ou me esquecesse de quem fui? E se eu me tornasse muito melhor? Se pensar do outro jeito for melhor? Será? Seria? Por fim, consegui visualizar uma mulher de cabelos curtos, roupas confortáveis e pulseiras de artesanato coloridas nos pulsos, cuidando de algumas plantas, distraída. E, num breve instante a mulher que eu imaginava percebeu a minha presença e me olhou de perto, me deixando constrangida. Logo depois me sorriu um sorriso de anjo, assentindo como se já me conhecesse.
- " Por favor, seja lá quem for você, cuide bem de mim!" - Ordenei um tanto arrogante, justo para com aquela mulher que me parecia tão doce e não merecia o jeito como lhe tratei. Mas no fundo, sei que ela entendeu o meu medo e fiquei feliz em pensar que aquela poderia ser eu.
Ps: Um Feliz Niver pro meu Amigo Gabriel
Brincadeiras à parte, enquanto estendíamos as roupas no varal, aquela que me deu origem me olhava com olhos irônicos enquanto ria das minhas explicações sobre dar fim a relacionamentos por motivos (óbvios) de não abrir mão da individualidade, de não aceitar grosserias, ordens, ou pedidos invasivos.
- " Sim mãe, para mim este é o ápice. Depois disso só há o declíneo. E se ninguém frear vai até cair. Eu dou fim mesmo antes de acabar. Talvez seja covarde da minha parte, mas é que não suporto ficar esperando para ver tudo ser espatifado, destruído e estraçalhado."
E ela me sorria como se já houvesse ouvido tal rebeldia juvenil nos seus próprios pensamentos e soubesse quão falhas eram estas teorias. Mas oras! Eu não era uma jovenzinha rebelde! Ou era? Ah, é que acho normalíssimas as minhas teorias e aliás, além de normais, muito saudáveis. Pois não entendo por quais motivos alguém necessitaria ou deveria sustentar algo que não é ... bom.
O que leva um ser humano a alterar o seu próprio sobrenome para ser posse de outra família? Posse. É o que me parece essa coisa de nome de marido no final. E, não que isso resuma tudo, afinal este nem é o verdadeiro problema, que seja um casamento por amor verdadeiro e bonito, enfim, para quê mantê-lo carregado nas costas a partir do ponto que não é mais leve?
Sei que existem muitas coisas envolvidas mas, o que seria mais importante do que a felicidade? Tudo bem, talvez filhos mas ... mas ... mas. Ah, esta coisa toda! Deve haver alguma solução prática. Não é possível...
-" Eu já fui assim também." - Ela interrompe meus pensamentos sussurrando, e eu lhe pergunto - "Me diz então, por que as pessoas com o tempo desistem de ser quem elas eram?" - Ela sorri um sorriso de pena, que talvez fosse por compaixão à minha ingenuidade -" As pessoas não desistem com o tempo, Priscila. Elas mudam."
Claro, não pude mais argumentar diante disto. E, com medo, comecei a pensar em quem eu seria aos 30. Senti um calafrio quando pensei nas possíveis coisas que poderiam mudar meu pensamento. Mais maturidade, talvez? Ou quem sabe eu passaria por experiências tão traumáticas que mexeriam comigo? E se eu me conformasse ou me esquecesse de quem fui? E se eu me tornasse muito melhor? Se pensar do outro jeito for melhor? Será? Seria? Por fim, consegui visualizar uma mulher de cabelos curtos, roupas confortáveis e pulseiras de artesanato coloridas nos pulsos, cuidando de algumas plantas, distraída. E, num breve instante a mulher que eu imaginava percebeu a minha presença e me olhou de perto, me deixando constrangida. Logo depois me sorriu um sorriso de anjo, assentindo como se já me conhecesse.
- " Por favor, seja lá quem for você, cuide bem de mim!" - Ordenei um tanto arrogante, justo para com aquela mulher que me parecia tão doce e não merecia o jeito como lhe tratei. Mas no fundo, sei que ela entendeu o meu medo e fiquei feliz em pensar que aquela poderia ser eu.
Ps: Um Feliz Niver pro meu Amigo Gabriel

