24 de ago. de 2010

Ai como doí

Estou me acostumando aos poucos. É que a gente sempre quer sair de casa, conhecer o novo. E já pensou largar tudo e ir para um país novo? uma cidade nova? Sem ninguém, ninguém que saiba da tua história, novas pessoas, nova casa, nova rua, novo bairro, novos vizinhos, novas praias, novas festas, novos trajetos, novos horários, novas regras, vida nova. A gente sempre quer. Se livrar da vizinha encrenqueira, de alguém impondo horários pra chegar em casa,das fofocas, das implicância daquelas garotas insuportavéis, do burburinho da cidade, das pessoas que já foram o que eram pra ter sido, de sair para os mesmos lugares e de fazer o mesmo caminho sempre. A gente sempre quer.
Mas tem um dia que isso acontece, de fato. E aí você vai, leva só as malas e deixa tudo para trás.E seja o que Deus quiser. Vai com um sorriso na cara pra atrair sorte, vai com o pé direito pra garantir, vai com o pensamento de que tudo vai dar certo e vai com o coração na mão porque não tem jeito.
Fazem 14 dias. E só nesse tempinho quanta coisa eu já vivi... Eu ri demais, eu falei com todo mundo que eu podia falar aqui do predio e da rua onde moro, eu fingi ser outra pessoa na rua, eu virei a madrugada brincando de jogo da forca sem luz em casa, eu dei número de telefone falso, Eu brinquei demais, eu quase fui atropelada, eu ja fui sozinha a padaria pela primeira vez, eu fui na primeira choppada com as meninas, eu amanheci na rua, eu dormi dividindo colchão com 4 pessoas, eu subi num palco, eu ganhei um concurso, eu contei isso tudo para os meus pais, eu fui sincera e não tomei esporro como eu esperava que fosse tomar. Eu percebi que agora não tem mais como voltar atrás eu tô crescendo.Sim eu tô crescendo! Essa foi a frase que eu disse na ultima conversa que tive com minha mãe.
E uma coisa interessante que ela me disse que eu nem tinha me tocado " Filha á 4 anos que você vem crescendo agora que você percebeu?". É... talvez ela tem razão. Mas somente hoje que a fixa caiu e que agora não tem ninguém pra me dar esporro, que não tem ninguém pra decidir por mim, nem pra me defender, nem pra me dar colo. E entendi que a responsabilidade é minha e por consequência a consciência também. Que eu que adiministro meu dinheiro e que se eu acabar com ele o problema é meu. E que dessa vez não adianta eu dizer "eu faço tudo que eu quero e é problema meu" como nas épocas de revolta, porque agora o problema é meu mesmo. Só meu. E não tem ninguém pra me salvar. Eu que me vire, eu que corra atrás, eu que estude, eu que invista, eu que me garanta, eu que viva ... por mim. E ninguém mais. Ninguém mais vai viver por mim.
E isso dá um arrepio na espinha, dá susto como em montanha russa e dá vontade de ter tudo de volta, os seus amigos de sempre, a sua caminha na casa da mamãe, uma comida descente feita por ela, não se preocupar em "como eu vou voltar pra casa", conhecer o caminho por onde anda como a palma da mão. E dá saudade. Dá vontade de você reencontrar todo mundo. Até mesmo aquela vizinha chatinha.É que com o tempo você descobre que gostava dela. E descobre que ama a sua familia mais do que imagina. Que ama até mesmo os lugares antigos e descobre que a sua rotina era boa. Você sente falta de um monte de coisa e às vezes dá uma solidão enorme ... e eu que gostava de ter a casa vazia... descobri que não, tem dias que a gente precisa de alguém colado o dia inteiro.. E nem todo dia é dia de festa. Tem dias que você descobre que ser dono do seu próprio nariz pode doer. Uma dor aguda, bem na pontinha dele. Ai.

9 de ago. de 2010

Meu testamento !

Tudo que nasce,morre. E ninguém nunca sabe para onde vai. Não sei quanto tempo leva pra esquecer. E esquecer não é simplesmente não lembrar, eu acho que é mais. Um processo longo e sem fim. Esquecer a gente nunca esquece. Não quero mais lembrar então, destas coisas que parecem estar quase mortas ou entaladas em algum lugar que dói e eu ainda não descobri.
Proponho que façamos um grande velório. Preciso enterrar todas as histórias. E as estórias também que eu inventei e que nem chegaram a ser,e que também não viraram sonhos porque eu acordei de repente sem ar na madrugada. Levantei. Fui até a cozinha procurar um copo d’água. Sentei e comecei a escrever.

Minto, antes de começar fiz uma longa... pausa... para te olhar. Tentei acompanhar o ritmo da sua respiração funda e lenta enquanto dormia. Achei seu arfar um tanto afável: o músculo endurecido do meu coração se retraiu primeiro,mas depois, mesmo um tanto receoso relaxou e se deixou levar. Minha respiração inquieta me deixou descansar por alguns instantes enquanto eu seguia o seu ritmo, mas eu não consegui imitar a sua paz por muito tempo.

Foi apenas o instante dos seus olhos sonolentos conseguirem se abrir até o meio, fraquejando logo após de me fitar, e você arquejou a boca como se fosse me dizer algo se não estivesse tão cansado. Talvez em outro tempo eu até insistisse em ouvir , mas desta vez não. Quis apenas contemplar aquele silêncio para começar a escrever. Escrever não sei para quê e nem para quem, mas senti total necessidade. Talvez escrevendo eu pudesse definir um fim para esta história, melhor então passar para o papel – pensei – uma vez que sei lidar melhor com a caneta que corre em minhas mãos firmes, porque só assim elas sabem ser firmes, pois só assim eu saberei ser firme.

Meus finais todos são dotados de drama, de silêncio e de madrugadas também. E de mortes, assim como são dotados todos os finais. Sei que tudo isto está morrendo mas não faço idéia para onde vai. Não quero saber. Sei que depois do enterro vem a vida que segue, que continua cruel ou felizmente, nos mostrando que o mundo gira e que a vida lá fora sempre vai continuar existindo, mesmo que eu me assassine um pouco... mesmo que eu mude de idéia e queira morrer. Quis deixar então um testamento, como prevenção, por saber que as madrugadas acabam e que depressa vem o depois.

Mas não há muito o que eu queira deixar neste testamento, eu até poderia deixar algumas marcas, mas estas eu quero que sejam apagadas. E todos os sorrisos, os abraços, os planos, e os rancores também. Isto também morre junto. Tudo o que houver de mim eu retiro e levo comigo, inclusive as minhas palavras. Esqueça das minhas palavras.Quero deixar no meu valioso testamento apenas uma sagrada esperança de que tudo vai dar certo e um novo entusiasmo para os dias que virão.

De resto não vale a pena cantar a hipocrisia, não quero lhe desejar nada que não seja verdadeiro. Deixo então o silêncio. E o barulho da palavra que quis escapar da sua boca e que nunca saiu, o som falho interrompido pelo cansaço que repousou no seu sono. Deixo o arfar inquieto do meu peito enquanto velava você dormindo. Te deixo a cor das minhas olheiras, e por fim, deixo a minha insônia descançando em paz em cima do teclado, repousando ou deixando-se abater, enquanto se ouve o baque sutil da trinca da porta do meu quarto sendo violada, o sopro do vento vindo de fora, os sorrateiros passos se afastando sem se despedirem pelo corredor da casa.

Deixo o frio de acordar sem uma meia dos pés, e sem você ao lado. Pra sempre.

Amanheceu o dia.

8 de ago. de 2010

Me desejando sorte !

A minha vida é feita de recomeços. E isto significa reconsiderar. Reaproveitar algo? Talvez. Não sei se quero, e nem se devo. Vou sentir saudade de algumas coisas, eu sei. Só ainda não sei de quais.

Ps: Descobriir que meu Pai tem lido isso aqui ahuauhuauuauha então aqui vai um
Feliz dia dos Pais pra vc meu Pai... o melhor Pai do mundo. Eu te amo *-*

4 de ago. de 2010

Por quanto?

Das tantas coisas que passam na minha cabeça eu poderia revelar um pouco menos da metade, talvez deva-se a isto o fato de eu ser uma pessoa calada (a princípio), porque quando eu decido falar eu falo, e como eu falo! Mas este nem é o problema, o problema é que eu insisto em escrever... Agora imagine um ser humano que consegue sofrer um acidente catastrófico ao fritar um ovo, ou aquela voz desafinada ao fundo do coral, o tipo de pessoa que canta sempre o refrão da música por nunca conseguir gravar muita coisa além disso, a amiga que sempre esquece das datas mais importantes e depois liga choramingando pedindo desculpas, a menina que chega na porta da festa e você pensa que é um mulherão até vê-la tropeçando, entortando o salto dançando meio desajeitada, te fazendo mudar de idéia. ( O que uma pessoa dessas poderia escrever?) Imagine agora uma criança com os dentes da frente nascendo desproporcionais aos outros dentinhos de leite, parecendo um hamster e vestindo um vestido de princesa grande demais, no estilo maria mijona porque a mãe comprou com o intuito de tapar os joelhos, sempre ralados como os de menino. É, pense na menina que sempre brincava com os meninos (não, não era por ser uma menina que de tão legal era aceita no clube do bolinha) era por exclusão mesmo, do grupo das menininhas meigas que carregavam lindas bonecas e seus carrinhos cor-de-rosa nas cestinhas de suas bicicletas, que por sinal nunca foram páreo para as minhas Barbies semi-carecas, maqueadas com canetinha. Quem disse que os meus brinquedos não eram legais? Azar o das meninas meigas que perderam uma grande oportunidade,cortar o cabelo das bonecas estilo hardcore era super aceitável e eu sabia disto desde pequena, elas é que eram muito over... mentira. Eu sempre quis brincar com elas, sempre quis saber maquear as bonequinhas ( e não sei até hoje, nem maquear bonequinhas quanto mais me maquear sem parecer o palhaço Bozo, err ok, vou prosseguir ...) sempre quis saber cantar, sempre quis saber cozinhar e conseguir sair de perto do fogão viva, chegar na festa linda e sorridente e sair dela não só sorridente, mas linda também, sem aquela cara de acabada com os olhos completamente borrados por sempre me esquecer do hímel e coçá-los. Sempre quis ser como aquelas mulheres fatais superproduzidas que nos seduzem só com os olhos nas capas de revista (mas nunca consegui e uso a desculpinha que ser despojada e natural é bem melhor), confesso, sempre quis dar estrelinha, ter uma memória melhor e saber puxar assunto. Mas, enfim, o que me sobrou foi escrever, então eu me rendo.
Começou assim de modo meio ingênuo, com um textinho para a mamãe na homenagem da escola e as professoras que insistiram nessa idéia não poderiam imaginar o mal que isso me faria: maldita tia Isa que adorava minhas mentirinhas escritas e me pedia para escrever mais e mais, me elogiando nas beiras das folhas do caderno. E, como não me sobravam muitos elogios por outros talentos, foi deste modo egoísta que passei a gostar de escrever: para impressionar a mamãe e a tia Isa, como uma criancinha superdotada que um pouco mais tarde pularia de série como consequência.
Mas não parou por aí, além de ser um ano adiantada e por isso ser sempre a mais nova da turma, as consequências não foram poucas. Quando eu vi estava completamente rendida por tal hábito e já escrevia coisas que não queria que mais ninguém lesse; Os meus segredos, as minhas vontades, os cometas que passavam voando pela minha cabeça... é, não tinha mais volta. Eu precisava escrever e agora não era para tia Isa, não, não. Simplesmente não existia motivo nenhum.
Tarde demais, estes, de precisar sem motivo, são os piores vícios. Agora me encontro no estágio agudo, no surto de dizer as coisas que eu não diria ... e o pior: tem vezes que resolvo escrevê-las aqui. Daí, quando me dá vontade de ler de novo o que eu escrevi em uma espécie de transe (pois não penso no que estou escrevendo e nem olho para o teclado enquanto escrevo), dou de cara com as barbáries e abobrinhas, faltas de vírgulas e de parágrafos que só noto quando um monte de gente já leu e interpretou à sua maneira. Então deixo pra lá, pois não vejo mais sentido em corrigir, uma vez que já fora interpretado não se deve tirar isto das pessoas.
Enfim, só não acho isto pior do que a minha infinita capacidade de me auto-sacanear quando já estou quase dormindo e resolvo, sem mais nem menos, começar a falar pra você tudo o que eu demorei o dia inteiro tentando disfarçar, tentando não dar bandeira e não parecer uma psicótica, uma doida qualquer sem controle nenhum dos impulsos e emoções, ciumenta sem razões para ser, exigindo coisas hipócritas que não posso exigir, falando várias merdas opiniões pessoais e episódios do meu passado, coisas que nem eu sabia que estavam guardadas na minha cabeça e que saem como borboletas voando atônitas de dentro do meu estômago por terem estado presas ali um dia inteiro, fazendo minhas mãos transpirarem de nervoso mais do que o normal.
Tanto esforço para nada, graças ao meu maldito hábito, maldita boca enorme e traidora que eu tenho, malditos textinhos para mamãe, malditos caderninhos com elogios da tia Isa, maldito você que sempre dorme depois de mim e que por isso me flagra neste estado perigoso do dia, maldita sinceridade, malditas menininhas meigas, malditas mulheres fatais, malditas borboletas que saem voando sem pedir licença. E então, sei lá o que fazer depois disso tudo, na verdade não tem muito o que fazer, não é? Não há como apagar a palavra dita (depois que ela sai já não é mais sua, mas sim de quem as ouviu.) Sem ter como voltar atrás, só sinto um pouco de vergonha, mas gosto também. Aí eu resolvo respirar fundo e aceitar a situação, me levanto e desisto de dormir, sento à sua frente ... fico olhando com um ar desafiador e debochado a sua cara de quem ainda está pasmo se recuperando do que ouviu.

- E aí, agora você me compra por quanto?

29 de jul. de 2010

Uma Buceta?

Não esperava que o texto anterior rendesse polêmica, hoje eu iria postar um texto sobre um outro assunto diferente, mas gostei muito das opiniões de vocês e não consegui ignorá-las. Fiquei refletindo sobre o assunto e me vi obrigada a postar aqui a minha resposta. Primeiro queria dizer que agradeço aos comentários, MAIS DISCORDO DE VOCÊS.


É que não acho que a mentira seja natural do homem. Não,o homem aprende a mentir com o tempo, pode aprender sozinho até. Mas não, não é a mentira que nasce com o homem, é o medo. Sim, o medo, instinto natural de sobrevivência, de proteção... Quem mente, mente por medo.
E a verdade não é impossível, eu não acho que seja ... nós, a sociedade, é que criamos em torno dela um pavor e desde pequenos aprendemos a ter medo da verdade.

O mais irônico é que este medo da verdade nos torna cada vez mais pessoas paranóicas, desconfiadas de que tudo seja mentira. O medo da verdade leva ao medo da mentira, isto não soa como um sistema? Pois é de fato um sistema. Óbvio, a sociedade é um sistema e como todo sistema, possui o seu modo de sobrevivência. E deste modo mais uma vez retomamos ao ponto de início: o medo, instinto para sobreviver.

Mães que tem medo que os filhos errem, como elas já erraram tanto, e escondem os fatos, e ameaçam e mentem. Mentem por cuidado, por receio, zelo, mas mentem. Não seria muito mais fácil chegar e dizer, "veja bem, eu já tive a mesma idade. E sei muito bem o que se passa pela sua cabeça agora, passava o mesmo na minha, é normal. Fiz exatamente a mesma coisa ou até pior, mas olhe, eu me estrepei toda, quebrei a cara, me dei mal. Errei. E queria te adiantar o caminho, não faça o mesmo, pro seu bem." Não é muito mais honesto?

Mais eficaz do que as ameaças hipócritas "fulaninho, se eu descobrir que você fez isso ..." E para que os pais não descubram os seus atos falhos os filhos mentem, por medo. E por medo um empregado não assume o seu erro, sua insatisfação, seu desespero, e com medo, fica mais desesperado. Por medo uma esposa não assume que já não sabe se ama o marido, sei lá por quais tantos motivos (medo da separação, de não conseguir pagar as contas sozinha, medo do que os outros vão pensar, medo da solidão) e na realidade fica cada vez mais sozinha por dentro. Faixadas.

E por medo de que estas faixadas venham abaixo o sistema continua sustentando farsas, hipocrisias, onde nada nem ninguém pode ser verdadeiro. Mas quem foi mesmo que disse que não pode? Não sei, mas disseram isso pra gente, a gente já nasce ouvindo, já nasce esperando o mal dos outros, a mentira. A gente já nasce com medo.

E justamente por acreditar no oposto eu já ouvi todo o tipo de comentário, que sou inexperiente e não sei nada a respeito da vida, que eu sou louca, liberal demais, que não penso no que falo e que não tenho pudor, ou que sou lunática e tudo o que eu penso é muito bonito mas não passam de meros devaneios. Mas eu discordo. O que eu penso não é bonito, nem cor-de-rosa. É duro, é frio, e às vezes tem gosto amargo.

E escolher estar fora de um sistema não é uma escolha simples, é escolher se sentir excluído, é escolher ser apontado, julgado, e mal interpretado. E aceitar certas verdades já me machucaram muito, ouvir certas verdades e recebê-las com o peito aberto já me cortaram a alma, já me bateram na cara, no ego, no sonho, em tudo. Me aceitar assim como sou, de verdade, doeu. E me privar de mentiras adoráveis e confortantes foi insuportável.
Optar pelo verdadeiro não é tão bom quanto um desvaneio, não, eu garanto. É escolher precisar de ouvir qualquer elogio só para aumentar a estima e não ouvir. É precisar de alguém que te diga que morreria pelo seu amor e privar-se disto. É trocar um lindíssimo poema de Camões por um bilhetinho escrito "gosto de estar perto de você." É banir qualquer metáfora encantadora, trocar palavra por atitude. É aceitar a dignidade de um sentimento simplório e aprender a gostar do que é simples. É necessitar ouvir que tudo vai passar, e ter que levantar-se em meio ao tormento e ir a luta, sabendo que não vai passar, que há dores que ficam pelo resto da vida e que a gente precisa aprender a lidar.

É preciso aprender a lidar com a verdade, mesmo que isto te faça perder o grande amor da sua vida, mesmo que isto te doa no ego, na alma e no sonho. Mesmo que você passe vergonha, que não consiga posar como o herói da moral para o seu filho, mesmo que se lasque inteirinho, mesmo que você corra o risco de perder.
As pessoas mentem tanto porque querem ganhar o tempo todo. Só querem ganhar, tirar vantagem sempre, mas a vida não é um jogo. É isto o que eles não entendem: a vida não é um jogo. E a verdade não é para quem tem medo de perder.

É preciso assumir a verdade, é preciso assumir o erro, é preciso assumir as consequências, é preciso assumir o rumo natural das coisas, é preciso assumir a si próprio. É preciso perder, faz parte, é necessário. No começo não é nada fácil, mas somente depois que as primeiras provas de fogo já houverem passado, verão como é descomplicado. Depois que contarem a verdade na pior das piores situações, sentirão como é bom ser livre. Como é leve. Mesmo que esta liberdade lhe custe a indignação do outro, e mesmo que o seu erro cause espanto a sua verdade causará ainda mais, muito mais. Respeito. É esta a palavra. A verdade por pior que seja impõe respeito pela coragem, e é também o próprio respeito ao próximo de não privá-lo da verdade. É dar a ele o direito de perdoar-te ou não. É respeitoso, nobre, justo.

Uma coisa que aprendi depois de ter sentido todas as dores que senti no início: não, na realidade, não é a verdade que dói. É a ilusão que machuca. É descobrir a farsa, cair lá do alto de surpresa para pôr os pés no chão, é isto que dói. O que faz a traição em todos os sentidos não são os fatos, mas as mentiras. São estas que doem. Penso agora que se eu não tivesse me cercado de tantas ilusões, tanto cor-de-rosa, não iria ter me doído nada, pois a verdade é mesmo simples quando se convive com ela desde o começo.

Tudo isto me lembra o caso de uma vez em que foi feita uma mostra de arte sobre o caos urbano e a vida cotidiana na minha faculdade, e fora implantada logo no centro do pátio de entrada uma escultura de terra com uma forma, digamos, inusitada. Confesso que eu mesma não conseguia ver em tal obra qualquer relação com o tema da exposição, e a única coisa que me vinha na cabeça a respeito da tal forma inusitada era a de que me parecia uma buceta – Esta coisa parece uma buceta, parece sim uma buceta enorme no centro do pátio, mas claro que não é, claro que não pode ser ... – e meus pensamentos foram logo interrompidos pelas risadinhas abafadas dos alunos dos outros cursos que assim como eu estavam parados no hall de entrada observando aquela escultura curiosa – Este povo de publicidade é muito doido e idiota, cambada que não tem o que fazer, vem e colocam essa buceta de terra enorme no pátio. – Era o que comentavam alguns. E entre críticas ao meu curso e risadinhas não contidas, todos os pensamentos convergiam para o mesmo ponto : "parece uma buceta, uma buceta gigante no hall de entrada."

Foi então que um dos alunos de engenharia metidos a soberanos que andavam com meios sorrisos dados de lado parou diante da autora da obra, e disse-lhe num tom debochado apontando para a escultura de terra:

- Parece uma buceta.

- Não. (Disse ela num tom de voz muito calmo.) Você está enganado pois não parece. É uma buceta.

E saiu com o sorriso aberto sem dar mais explicações, enquanto o menino do sorrisinho de lado permanecia estático em frente aos outros (sem nenhum sorriso agora) procurando um buraco qualquer no chão para sumir. – Mas é claro! – pensei eufórica ao concluir a minha interpretação sobre a obra e sua relação com o tema. O que mais além do órgão genital feminino pode representar tão bem a vida? Feito do elemento terra, elemento vivo, o oposto do asfalto morto do caos, mas é claro!
E passei a ver naquela obra uma genialidade tamanha, nem tanto pela estética, mas pela composição de sua idéia. Que maneira brilhante e inusitada de representar algo tão comum,e mesmo sendo um tema tão tachado e batido a autora fez com que se tornasse algo que realmente chamasse a atenção, e além de tudo fosse surpreendente. Comecei a perceber então, além de tudo, nesta obra uma provocação: pois a verdade estava ali tão crua e notória diante de nossos olhos e não conseguimos interpretá-la. Por que não conseguimos logo de início? Aceitar a verdade nunca é fácil. Procuramos outras explicações, floreamos, afinal, não podia ser aquilo... aquilo não era admirável, era feio, era real demais, não podia ser arte. Podia? Então buscamos outras hipóteses, sem nem passar por nossas cabeças que a verdade é bem mais simples e clara do que parece.

27 de jul. de 2010

Estou no caminho ...

- Escolhas sempre alteram os caminhos.
- A escolha é sempre sua, então está tudo em suas mãos.
- Não gosto de decidir as coisas.
- Como não?
- Não gosto de interferir no tempo. Eu prefiro deixar fluir, que tudo aconteça expontaneamente, de modo   leve, simples, natural com o tempo.
- Mas Priscila, a vida não é assim! Deixa só o tempo ir te mostrando as coisas ao natural, para ver aonde você vai chegar.
- Já cheguei a muitos lugares deste modo, se você não sabe. E só deste modo eu sei que hoje estou no lugar certo. Só assim eu sei aonde seria da minha natureza estar.
- Mas na vida a gente precisa de pretensões, Priscila! De força de vontade,de fazer acontecer, de ambição.
- Mas quem disse que eu não tenho ambição? Eu tenho, só que a minha pretensão é muito simples.
- É qual é?
- A verdade. Eu pretendo que seja de verdade.
- O quê?
- Tudo.
- ?

- Vou lhe explicar, eu quero que enquanto eu viva tudo seja verdadeiro. Que se eu tiver um filho,por exemplo, que seja um relacionamento verdadeiro. Que eu lhe conte a verdade sobre quando eu tive a mesma idade, que eu fale dos meus erros e não os esconda, e que ele me conte os dele também. Que eu não o castigue com a minha hipocrisia, que a gente converse e aprenda, cresça junto.

E se um dia eu for trabalhar, que eu trabalhe de verdade, com tanto amor, que não me importarei em me sacrificar um pouco mesmo que não seja por tanto dinheiro.

E quando eu não tiver dinheiro, que eu não me envergonhe da verdade, que chame uns amigos para jogar uma conversa fora e beber cerveja. E que quando eu tenha, que não me faltem os mesmos amigos de antes, para gastá-lo por minha conta. E que a diversão seja de verdade, sempre, independente da grana.

E se um dia eu tiver um amor, que seja simples, sem muitas frases, sem muitas promessas, sem nenhum rótulo. Que seja sem cerimônias, que seja sem alianças, sem amarras, que seja só pelo desejo de estar perto. Só pelos desejos que forem sinceros. Eu quero uma vida de verdade por completo. Acho que só assim vou morrer honestamente.

- Vidas de verdade por completo deste modo não existem, Priscila.
- Não existem por completo ainda, mas eu estou no caminho certo... estou no caminho.

20 de jul. de 2010

Dia do Amigo ?!?!?!

Ps: Ei, ignore esse post, não é pra vc :):):) gostei da sua ligação.

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Dia do amigo é o caralho! Que porra é essa??? MÁQUEPORRAÉESSA??????
Imagina se eu vou ficar mimimizando "dia do amigo"? E desde quando a sociedade começou a inventar dia do amigo, dia do homem, eu não preciso dessas datas pra lembrar dos meus amigos, e outra coisa, geral enviando e-mail "feliz dia do amigo" ,vão arrumar uma troxa de roupa pra lavar.

99,5% das pessoas que me mandaram email NÃO SÃO MINHAS AMIGAS! E eu não sou amiga de vocês, estão entendendo? Pegaram a idéia? Vocês nunca fizeram nada por mim e eu muito menos por vocês ... Florzinha dizendo que amigo é pra guardar no fundo do peito... blawhyskas.
Essa geração que ouve Cine e acha que Justin pau nas coxas é gente, deveria era pegar esse tudo e o monte de amigo e irem TODOS para uma galáxia distante.
Agora vou aproveitar para deixar um recadinho para os meus amigos.....

Not.
Vocês são tudo uma cambada de filha da puta egoísta, que só pensam em cachaça e na própria vida, por isso vocês são ótimos e meus amigos. Eu amo vocês. Um bjo