28 de jan. de 2011

Queria...

Queria ter um monte de coisas bonitas a dizer. E que com este texto eu pudesse fazer nascer uma flor no peito de alguém. Queria que a minha verdade transformasse. Que você aí que está um pouco triste com suas próprias descrenças que já começam a apodrecer e incomodar com o cheiro, me lesse e sorrisse ao ver que ainda existe alguém. Queria que existissem ainda várias pessoas. E que elas, ao lerem o meu texto (que teria cor de fim de tarde e cheiro de girassóis) entrassem em contato comigo antes que o céu começasse a enegrecer e ficasse tarde demais. Só mesmo para me dizerem que ainda existem também. Ou melhor, que ainda resistem e não sucumbiram a toda mentira que - ao que parece - enfeita o que é bonito, tornando tudo um pouco repetitivo, clichê e tedioso.

25 de jan. de 2011

Muitas de muitas

Hoje resolvir parar um pouco para limpar a poeira de caixas antigas. Sei lá quantos meses faziam desde a última vez que resolvi fazer isto. E apesar de conhecer muito bem o conteúdo de todas aquelas caixas, a graça de ter caixas antigas sendo empoeiradas pelo descaso dentro do armário é que elas sempre nos reservam uma surpresa quando resolvemos reabrí-las. Como se nunca houvéssemos sabido o que nos aguardava ali. Pois bem, se alguém quiser saber o que eu guardo naquelas caixas digo sem rodeios: a minha vida inteira.

Primeiro abri uma caixa desorganizada com fotos aleatórias, cheia de épocas, cheia de cidades diferentes, cheia de rostos, e de mim também. Fiquei um tempo rindo com as fotos. Meu pai me segurando no colo, meu avô quando ainda não tinha cabelos brancos, uma velha amiga, a bisa Elisa indo colher milho comigo, minha mãe pré-adolescente se maqueando com as minhas tias igualmente jovens, a falecida cadela da vovó que me mordeu o dedo uma vez, uma foto da minha prima escrito "eu te amo,volta logo" no verso, com os amigos na festa de 15 anos, eu andando pelo bairro de calcinha no velocípede, pela primeira vez indo à escola, chorando com medo de cortar as unhas, estufando a barriga para imitar a minha mãe grávida nas fotos, andando a cavalo, crescendo, segurando meus primos no colo, mudando, vi também mais pessoas, muita saudade, viagens, amigos, uma foto da minha formatura, da milenar cadeira de dentista que ficava na casa da bisa Vitória e que me fazia tremer de medo, do casamento dos meus pais, de todos os lugares,cidades e estados que ja morei e mais incontáveis outras.

Depois foi a vez da caixa dos objetos que não me tomou tanto assim o tempo. Caixa esta que preservava apenas uma pulseira na qual estava escrito "amigas para sempre" , uma folha de árvore mofada que minha mãe insistia em querer jogar fora e eu insistindo em dizer não, um lazer que não funciona mais, uma boneca de porcelana trazida da Itália, moedas portuguesas, antigas moedas brasileiras e uma concha.

Passada a segunda caixa, fui para a terceira e a quarta de uma só vez abrindo-as simultâneamente. A maior guardava as cartas que eu recebi e a mais compacta os rascunhos das cartas que eu escrevi um dia. Talvez tenham sido as caixas com que eu tenha gasto mais tempo. Li quase todas as cartas, ri com a maioria delas e chorei também com algumas outras. Senti muitas saudades de muitas.

E se você me perguntar como assim "muitas saudades de muita" ? Respondo. De muita, oras! Mas é de tanta que eu nem sei explicar que coisas. E nem tudo são coisas também. Às vezes são só cheiros, às vezes eram só saudades do que eu estava sentindo naquele momento do passado, de bichos que eu tive, às vezes era saudade de gente também e outras de coisas que nem existiram.

Quanta coisa a gente passa, quanta gente faz parte da gente e a gente nem percebe. Quantas pessoas nos deixam, quantos pedaços da gente ficam parecendo faltar no peito, quanta dor a gente carrega. Mas que depois passam também, como tudo. E quantos pedaços nossos não estão aí espalhados pelo mundo, e a gente quase nem sabe. Quase nem percebe. Nem sei porquê, mas lembrei de uma menina que eu gostava tanto e que era tão recíproca comigo sem motivo. Achei na caixa um bilhete que me dera uma vez sem ter porquê. E não precisávamos de motivos, ela me sorria sempre que me encontrava e eu sorria também com o meu coração inteiro. E isto era o grande mistério. Eu bem que sabia que a gente se gostava, sei que ela também sabia, mas nunca trocamos muitas palavras. Ah, mas eu sinto tanta saudade de sorrir assim daquele jeito que era o meu segredo e o dela. Nunca mais a encontrei. Por onde será que anda? Será que ela tem tido motivos pra sorrir? Não tem como eu saber, a vida anda e a gente vai perdendo e vai ganhando também. Ia esquecendo de contar, com os sorrisos que ganhei aprendi a sorrir mais com ela. Acho que um dia eu consigo aprender como se sorri direito (igual a ela) de tanto praticar. Quem sabe. Fiquei então sentindo muitas saudades de muitas.

19 de jan. de 2011

Aos 30?

" Aos 30 anos você vai aceitar." E estremeci ao terminar de ouvir esta frase, pelo fato de ser praga rogada por mãe. Conversávamos sei lá sobre quantas coisas, mas considerem que em muitas delas haviam homens envolvidos. E, levem também em conta e incluam nesta conversa todas as falácias sobre namoros, relacionamentos e casamentos a palavra que em nenhuma hipótese deve ser pronunciada.

Brincadeiras à parte, enquanto estendíamos as roupas no varal, aquela que me deu origem me olhava com olhos irônicos enquanto ria das minhas explicações sobre dar fim a relacionamentos por motivos (óbvios) de não abrir mão da individualidade, de não aceitar grosserias, ordens, ou pedidos invasivos.

- " Sim mãe, para mim este é o ápice. Depois disso só há o declíneo. E se ninguém frear vai até cair. Eu dou fim mesmo antes de acabar. Talvez seja covarde da minha parte, mas é que não suporto ficar esperando para ver tudo ser espatifado, destruído e estraçalhado."

E ela me sorria como se já houvesse ouvido tal rebeldia juvenil nos seus próprios pensamentos e soubesse quão falhas eram estas teorias. Mas oras! Eu não era uma jovenzinha rebelde! Ou era? Ah, é que acho normalíssimas as minhas teorias e aliás, além de normais, muito saudáveis. Pois não entendo por quais motivos alguém necessitaria ou deveria sustentar algo que não é ... bom.

O que leva um ser humano a alterar o seu próprio sobrenome para ser posse de outra família? Posse. É o que me parece essa coisa de nome de marido no final. E, não que isso resuma tudo, afinal este nem é o verdadeiro problema, que seja um casamento por amor verdadeiro e bonito, enfim, para quê mantê-lo carregado nas costas a partir do ponto que não é mais leve?

Sei que existem muitas coisas envolvidas mas, o que seria mais importante do que a felicidade? Tudo bem, talvez filhos mas ... mas ... mas. Ah, esta coisa toda! Deve haver alguma solução prática. Não é possível...

-" Eu já fui assim também." - Ela interrompe meus pensamentos sussurrando, e eu lhe pergunto - "Me diz então, por que as pessoas com o tempo desistem de ser quem elas eram?" - Ela sorri um sorriso de pena, que talvez fosse por compaixão à minha ingenuidade -" As pessoas não desistem com o tempo, Priscila. Elas mudam."

Claro, não pude mais argumentar diante disto. E, com medo, comecei a pensar em quem eu seria aos 30. Senti um calafrio quando pensei nas possíveis coisas que poderiam mudar meu pensamento. Mais maturidade, talvez? Ou quem sabe eu passaria por experiências tão traumáticas que mexeriam comigo? E se eu me conformasse ou me esquecesse de quem fui? E se eu me tornasse muito melhor? Se pensar do outro jeito for melhor? Será? Seria? Por fim, consegui visualizar uma mulher de cabelos curtos, roupas confortáveis e pulseiras de artesanato coloridas nos pulsos, cuidando de algumas plantas, distraída. E, num breve instante a mulher que eu imaginava percebeu a minha presença e me olhou de perto, me deixando constrangida. Logo depois me sorriu um sorriso de anjo, assentindo como se já me conhecesse.

- " Por favor, seja lá quem for você, cuide bem de mim!" - Ordenei um tanto arrogante, justo para com aquela mulher que me parecia tão doce e não merecia o jeito como lhe tratei. Mas no fundo, sei que ela entendeu o meu medo e fiquei feliz em pensar que aquela poderia ser eu.

Ps: Um Feliz Niver pro meu Amigo Gabriel

13 de jan. de 2011

Agradecendo...

O mundo não vai acabar dessa vez né? Já passamos pelo apagão e sobrevivemos. Mas, alguém pode me explicar o que está acontecendo com o tempo? Eu fiquei quase 24 horas sem energia elétrica, meu celular sem sinal e a linha telefônica de casa ora funciona ora não. O céu estava lindo, muito estrelado e de repente.... chuva! Muita chuva! Jesus, controla!
Ficar sem banho quente é ruim, sem celular é ruim, sem televisão e computador então, nem se fala. Eu não vou dar uma de Angelina Jolie e me lamentar por todas as pessoas que sofrem com a falta dessas coisas todo santo dia, mas é inevitável não pensar na dor de quem acabou de perder tudo nesses desabamentos no Rio de Janeiro e a chuva que noa para em São Paulo e Minas. Não vou ser hipócrita, sou apegada a todos os meus bens materiais, não me imagino perdendo tudo da noite pro dia. Ficar 24 horas sem conforto foi horrível, imaginem vocês então a dor que deve ser acordar e não saber mais por onde recomeçar.  *reflitam*

Bem, o post na verdade era pra agradecer todas as pessoas que passam por aqui, confesso que ainda me assusto com o número de visitas diárias, mas fico muito feliz. E hoje eu recebi um elogio de uma pessoa que diz se identificar com as coisas que eu escrevo e sinto. Não sei se isso é bom ou ruim, porque nem sempre as coisas que eu sinto são boas, mas se eu estou ajudando, ponto pra mim. Seria ótimo se vocês me seguissem ( ali no botãozinho " seguir " ) publicamente para que eu pudesse saber quem vocês são e poder fazer o mesmo. Poder ler o que vocês escrevem e assim a gente se comunicar mais. Caso não tenham blog, podiam me deixar pelo menos um oizinho né? Brincadeira, eu só queria mesmo agradecer pela paciência de vocês em ler essas bobagens que eu escrevo. Beijos.

8 de jan. de 2011

Pela última vez ...

Eu choraria por você, e confesso que você nesses últimos dias é unica coisa que realmente me faz querer chorar. Eu choraria por ter certeza de que o que eu sinto nunca vai mudar, e choraria por saber que essa frase é ridícula. Choraria por pensar que talvez, e somente talvez, você tenha tomado a decisão certa de se manter distante. Choraria por ter vontade de sorrir toda vez que conversamos, e choraria por ser tão covarde e não conseguir te falar tudo o que sinto. Choraria por lembrar de todas as vezes que você me escreveu , e que não respondeu as minhas perguntas. Choraria por ainda não saber o porque decidi ser tão sincera contigo, e choraria por estar me sentindo tão maluca. Eu choraria toda uma noite por sua causa, e só pensando em você. E choraria tudo, tudo mesmo o que me machuca, se eu tivesse certeza de que quando as lágrimas finalmente cessassem eu conseguiria  colocar um ponto final nisso. Eu choraria.

6 de jan. de 2011

Não sou dessas mulheres de grito histérico quando uma barata resolve aparecer. Neste ponto nasci menos feminina, conseguindo muito bem me locomover até o inseticida mais próximo e aniquilar o inimigo sozinha. Mas acontece que quando o bicho em questão não é uma barata, nem um rato, nem uma lacraia ... mas sim uma mariposa, as coisas mudam.
Sinto um pavor inexplicável. Nunca entendi este meu complexo pois, por incrível que pareça, adoro borboletas. Talvez seja porque as mariposas sempre me pareceram misteriosas demais. Afinal, não é de se ver por aí, cotidianamente, voando felizes à luz do dia. Elas surgem quando querem (não sei da onde) e ficam lá, pousadas. Quando menos se espera. Por dias se ninguém se der ao trabalho de tirar. Enormes. Com as asas bem abertas e aqueles desenhos que parecem olhos. Vão embora quando sentem vontade. Tenho cada vez mais a certeza de que não são comuns (suspeito que em algum lugar secreto do universo exista um submundo de mariposas.) Perdi a conta de quantas crendices especulam sobre elas... acredito sim que sejam um sinal. Mas de quê?

Talvez sejam somente as almas das bruxas velhas e feiticeiras, que depois de mortas transformam-se em mariposas. Sei que não me farão mal, mas ... Tudo bem. Esqueça essa história de bruxas velhas e submundo. Juro que vou parar, comecei só porque lembrei do primeiro sonho que tive no ano passado.

Acordei apavorada porque no sonho mariposas me cercavam por todos os lados, e não adiantava que eu as espantasse. Estavam sobrevoando o meu quarto, mudavam de uma parede à outra, inquietas, aos montes. Eu entrava em pânico. O cúmulo foi quando fui me esconder em baixo da cama... e adivinhem. Também estavam.

Fechei a porta do quarto às pressas. No sonho eu ainda estava com muito sono e não hesitei em deitar do lado de fora da casa, no chão da varanda. Dormi tranqüila longe delas, mesmo não chão duro e frio. Entretanto, assim que acordei senti um peso leve no rosto. Gritei ao perceber o que era: uma das grandes, pousada sobre os meus olhos. E assim estavam também as outras cobrindo todo o meu corpo. Levantei da cama num pulo (desta vez acordada de verdade) e fiquei muito aliviada ao perceber que não havia no quarto mariposa alguma.

Era dia primeiro de janeiro e eu nem havia visto ou sequer falado no assunto nos dias anteriores. Nunca acontecera outra vez algum sonho parecido.Estranho... Curiosa que sou, me permiti a um acesso de superstição (afinal, que mal tem? Todo mundo é um pouco supersticioso nesta época do ano...) Tá, vou admitir logo que fui pesquisar o significado do sonho. Pronto. Não riam (muito).

Pode ser psicológico, mas quando olho para 2010 eu vejo que aquele sonho tão esquisito teve razão, por coincidência ou não, o significado dele se refletiu o resto do ano; mas este nem é o fato em questão.

2011 será um ano de mudanças, literalmente. Além de tudo o que está acontecendo,estou mudando de apartamento,resolvi dividir um ap com mais 4 pessoas... enquanto simultaneamente o meu quarto na outra casa está em reforma. Foi metendo o bedelho em alguns detalhes da decoração que eu havia decidido que este – ao contrário dos outros anos – seria de cores bem fortes, multicolorido. E num estalo muito repentino eu disse "- quero laranja! Pronto!" Sem menos ou mais, e ficou por isto mesmo. Quem ouviu deixou pra lá e eu também, porque fui outra que não tinha me entendido.

O curioso se deu neste dia 31 de Dezembro, um pouco antes da passagem de um ano à outro. Exatamente às 11:45 da noite uma borboletinha de um alaranjado muito vivo apareceu do nada na tenda em que eu estava, na cidade de Cabo Frio. Sobrevoou serelepe sobre a cabeça de minha amiga à minha frente, me arrancando um sorriso. Quiseram espantá-la sem saber como. Ninguém sabe como chegou. Não se sabe o que estava fazendo àquela hora. Desapareceu poucos minutos depois, da mesma forma misteriosa que surgiu.

Assim que foi embora, me concedendo licença para ir até a beira do mar, e logo explodiram-se os fogos mais bonitos que já vi. Fechei os olhos compreendendo. Respirei a brisa do mar e aquiesci para ele, agradecendo.

5 de jan. de 2011

Que seja doce


Primeiro post do ano :D Não tenho muito o que dizer. Por tanto  não vou me demorar muito,nem preencher linhas com vírgulas e pontos de exclamações representando a minha euforia. Que não se espere deste texto uma canção da alegria, nem um brinde à qualquer coisa. Ponho aqui só um pouco da minha fé e um pouco da minha verdade. Pois neste texto cabem poucas coisas, que são as que me preenchem agora.
Neste texto cabe apenas uma palavra: APRENDI. E tudo o que houve durante o ano que passou me serviu de lição. Foi um ano bom, sem dúvidas, assim como todos os novos anos são. Mas este novo ano veio com um algo a mais: TOTAL LIBERDADE. E eu que achava esta palavra soava tão doce, leve como a brisa da manhã, deixando gosto de bala na boca quando eu a pronunciava...sem saber que ser livre exige muita coisa, e que a principal delas é amadurecer. O que não deixa de ser doce - uma coisa maravilhosa da vida - mas traz um pouco de azedume. Tal como as acerolas, que eu amo tanto.

Para dizer a verdade, não sei por qual motivo escrevo.Ou melhor, escrevo mesmo sem motivo, como deve ser. E desejo que este texto seja como uma prece, cabendo a quem quiser.

Que neste novo ano eu não cometa os mesmos erros (que me foram tão dolorosos) e continue aprendendo, desta vez moderando tudo com a sabedoria adquirida e tornando as conseqüências mais brandas. Que nesse novo ano todos se sintam por mim perdoados, e que se sintam à vontade para aceitar os meus pedidos de desculpa também. Que eu saiba esperar o azedo passar, sempre com a paciência e a esperança de - que ainda no finalzinho - virá o doce. Que não me falte bondade, aliás, que não falte a ninguém. Que não seja preciso pedir força, mas se for, que nos seja concedida. Que evoluamos todos, sem nos tornarmos empecilhos no caminho de quem quer que seja. Que os caminhos sejam livres e os sorrisos não bastem. Que as lágrimas caiam quando forem para cair, mas que não se prolonguem.

Por fim, que o amor seja a palavra principal. Sempre. Que se ame com confiança e verdade, sem egoísmo ou preocupações. Que se ame, sem medo. Que se ame, apenas. Mesmo em silêncio. E que todos os amores não correspondidos não se isolem dentro de uma bolha de angústia ou inveja, que estes amores sejam doados, e se doerem por serem tão grandes a ponto de não caberem no peito, que transbordem e respinguem em cada um, um pouco. Que atinjam a quem mais for necessário. Que o amor seja somado, dividido e multiplicado. Que nunca falte à ninguém. Que seja sempre amor, apesar de tudo. E que se acredite nele, apesar de tudo.

Amém.